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Relembre quem foi Dinha do Acarajé e entenda por que a filha pode ser despejada de apartamento em Salvador

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O apartamento em Salvador é o único teto da família, que enfrenta um processo de despejo mesmo com documentos que comprovam a compra  |   Bnews - Divulgação Reprodução
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por Redação Bnews

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Publicado em 14/07/2026, às 12h29



A filha da icônica baiana de acarajé Dinha, a turismóloga e produtora cultural Elaine Michele Assis, fez um apelo público para não perder o apartamento da família, em Salvador. O caso envolve um imóvel quitado em 2001, mas que nunca foi escriturado devido à falência da empresa responsável pela venda. A situação, que já se arrasta há anos, trouxe novamente à tona a trajetória de uma das figuras mais importantes da cultura afro-baiana.

Quem foi Dinha do Acarajé
Lindinalva de Assis, conhecida como Dinha do Acarajé, nasceu em Salvador e se tornou a mais célebre quituteira da Bahia. Ainda criança, aos 7 anos, começou a preparar acarajé ajudando a avó, Ubaldina de Assis, no tradicional ponto do Largo de Santana, no Rio Vermelho. Aos 10, já comandava o tabuleiro que, com o tempo, virou referência na cidade e passou a ser conhecido como Largo da Dinha.

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Reconhecida como a “Soberana da Bahia”, Dinha transformou o acarajé em símbolo cultural e turístico. Seu trabalho ultrapassou fronteiras: em 1997, foi convidada para um evento no Principado de Mônaco, onde preparou suas iguarias para a família real. Um ano depois, ampliou os negócios com a criação da Casa da Dinha, restaurante que se consolidou como um dos mais tradicionais de Salvador.

Além da fama, ela também teve atuação importante na valorização das baianas de acarajé, defendendo o reconhecimento da profissão e seu tombamento como patrimônio cultural.

Dinha morreu em 16 de maio de 2008, aos 56 anos, após uma parada cardiorrespiratória. Deixou três filhos biológicos e cinco de criação, além de um legado que segue vivo nos pontos de venda mantidos pela família.

Quem é Elaine Michele Assis
Elaine Michele Assis Cruz é a filha mais nova de Dinha e uma das responsáveis por manter a tradição da família. Baiana de acarajé, turismóloga e produtora cultural, ela atua na gestão dos pontos no Rio Vermelho e no Costa Azul, ao lado do irmão, Edvaldo Assis.

Em 2005, fundou a empresa AGÔ Ajeum, voltada para eventos ligados à cultura afro-baiana. Elaine também é reconhecida por defender as receitas tradicionais e o valor simbólico do acarajé como expressão de ancestralidade.

O drama do apartamento
O apelo de Elaine envolve um imóvel no edifício Pituba Ville, em Salvador. Segundo ela, o apartamento foi adquirido pela família por meio da empresa Lebram e quitado em janeiro de 2001. No entanto, a falência da companhia impediu a emissão da escritura em nome de Dinha.

“Dinha morou comigo até 2008, ano do seu falecimento. Ela pagou esse apartamento com o suor do trabalho dela, e conseguimos quitar em janeiro de 2001. Compramos pela Lebram, que naquele período decretou falência, e não conseguimos fazer a escritura nem colocar o imóvel no nome dela. Em 2004, nosso apartamento foi envolvido em um processo trabalhista e, desde então, não tenho paz, já que sou herdeira legítima e proprietária do imóvel”, desabafou Elaine ao BNEWS.

De acordo com ela, mesmo com contrato de compra e venda e termo de quitação assinados, além de testemunhas, foi expedido um mandado de despejo. Elaine afirma ainda que o advogado não tem obtido sucesso no processo, apesar das provas apresentadas.

“Tenho uma filha menor de 12 anos e estamos desesperadas, pois infelizmente não tenho outro bem nem outro imóvel para morarmos. Compramos esse apartamento com muito esforço, aqui no Pituba Ville, buscando qualidade de vida para Dinha, que já enfrentava problemas de saúde e precisava de um lugar melhor”, concluiu.

A reportagem não conseguiu contato com a Lebram até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

Classificação Indicativa: Livre

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