Cidades

São João: Empresários fecham teto dos cachês para bandas sem participação de prefeitos

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Valor dos cachês com teto de R$ 700 mil foi revelado pelo presidente da UPB  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 04/02/2026, às 20h32 - Atualizado às 20h39



A realização das festas de São João na Bahia revelam que é preciso ser bom de matemática e de ciências contábeis para não incorrer em erros que possam gerar irregularidades fiscais ou crimes mais pesados como corrupção ou lavagem de dinheiro.

Em entrevista concedida na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), em Salvador, nesta quarta-feira (4), o presidente Wilson Cardoso (PSB) revelou que houve um acordo onde o teto dos cachês ficou limitado a R$ 700 mil por banda que vá se apresentar nos festejos juninos.

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Contudo, conforme apuração exclusiva do Bnews com fontes ligadas ao setor do entretenimento, não houve um acordo entre prefeitos baianos, mas sim uma reunião a portas fechadas com empresários expoentes da música para chegar ao valor de R$ 700 mil e o prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, teria levado aos membros da UPB a proposta já concretizada e avalizada.

Em entrevista, Cardoso detalhou que a medida foi feita para criar um equilíbrio financeiro com foco na responsabilidade fiscal. “Nós chegamos a um consenso de que foi criado um teto, se criou um teto que não pode ultrapassar o cachê de um artista acima de 700 mil reais. Qualquer artista que estiver sonhando e vinha aqui no São João da Bahia para cobrar acima de 700 mil reais, com certeza ele não terá o contrato, porque isso aí vai ter um tac com o Ministério Público, assinado também pelo presidentes do TCE (Tribunal de Contas do Estado) e do TCM (Tribunal de Contas dos Municípios), que não pode ultrapassar esse valor”, disse.

Já o prefeito de Jequié, Zé Cocá, cidade em que há uma tradicional festa de São João no Sudoeste da Bahia, pontuou  que esse valor seria razoável e dessa forma os municípios de médio e pequeno porte continuariam a fazer as festas sem prejuízo ao erário público. O gestor municipal ainda apontou que também ficou decidido que a organização da festa só poderá gastar 5% a mais do que gastou no ano anterior. A estratégia faz parte de uma ação das prefeituras baianas para conter as despesas exorbitantes com as festas de São João da Bahia.

“Criamos esses critérios aqui, com o apoio do TCM, TCE e Ministério Público, para que a gente crie, de fato, esses controles e a gente tenha um São João bom com condições que possamos pagar. A média de São João, se você avaliar os últimos 3 anos para cá, nós subimos mais de 300% do custo da festa em relação ao primeiro ano de 2022”, esclareceu Zé Cocá.

Ainda segundo apuração do BNews, essa seria uma manobra para que os mesmos empresários continuem lucrando nas principais cidades da Bahia, inclusive trazendo atrações de peso que só aceitam pagamento antecipado.

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