Cidades
por Carolina Papa
Publicado em 08/01/2026, às 18h29 - Atualizado às 22h23
Conhecida por ter praias famosas do litoral norte em seu território, a cidade de Camaçari tem vivido um cenário de tensão com relação ao crescente número de afogamentos. Os registros encontrados dialogam diretamente com a crise no número de salva-vidas nas áreas litorâneas do município, que chegam a ficar durante a semana sem a supervisão de um profissional treinado para monitoramento de riscos no mar.
A equipe do BNews entrou em contato com a Prefeitura de Camaçari. Em nota, a Defesa Civil pontuou que não procede a informação de que não há salva-vidas. Leia a a íntegra no final da matéria.
O presidente da Associação dos Salva-Vidas de Camaçari (AGMAC), Edevaldo Netto, revela que em apenas um mês foram registrados 116 afogamentos na cidade. Ele relata que foi promovida uma onda de demissões no fim do governo do ex-prefeito, Elialdo (União Brasil), e que mesmo após a chegada de Luiz Caetano (PT) ao Executivo municipal, o quadro segue com o número de profissionais desfalcado.
“Infelizmente, o serviço ainda é terceirizado. E quando você tem um serviço terceirizado, você tem a questão política no meio porque os políticos são quem escolhem para quem eles vão dar os cargos. Eles esquecem do profissionalismo e das qualificações que um salva-vidas tem que ter para exercer a função e botam qualquer um. O que está causando os problemas hoje no grupo é isso. Estão entrando pessoas que não são qualificadas para trabalhar na função de salva-vidas”, destacou Edevaldo em entrevista ao BNews.
A faixa costeira de Camaçari é comporta por 42 quilômetros, que abrange localidades como: Arembepe, Guarajuba, Barra do Jacuípe e Itacimirim
Edevaldo Netto informou ainda que, para que os postos não fiquem desassistidos, a prefeitura conta com o apoio do Grupo de Bombeiros. No entanto, segundo o presidente, o órgão oferece ajuda, apenas, três vezes por semana: às sextas-feiras, sábados e domingos. Segundo o dirigente, praias localizadas nos distritos de Itacimirim e Guarajuba, famosos destinos turísticos no litoral norte, têm ficado sem salva-vidas, trazendo riscos para os frequentadores.
“Itacimirim tem algumas praias que não tem salva-vida durante a semana. Guarajuba tem algumas praias que não tem salva-vida durante a semana porque é de responsabilidade do bombeiro. O bombeiro não atua durante a semana. Ele só atua sexta, sábado e domingo. A maioria dos postos ficam sem salva-vidas”, acrescentou.
Edevaldo relata ainda que o serviço de salva-vidas no município é terceirizado e que não há expectativas para a abertura de um concurso público ou Regime Especial de Direito Administrativo (REDA) para o chamamento de pessoas capacitadas para atuar na área. De acordo com o presidente, atualmente, seria necessário cerca de 200 profissionais para que Camaçari oferecesse um “serviço de qualidade”.
“200 homens [seriam necessários] para fazer um serviço de qualidade. Você teria 100 homens em uma turma e a outra metade para você ter salva-vidas todos os dias”, complementou.
Nota da Prefeitura de Camaçari:
A Defesa Civil de Camaçari esclarece que não procede a informação sobre ausência ou redução do número de salva-vidas nas praias do município.
Em dezembro de 2025, a Prefeitura de Camaçari realizou novas contratações, ampliando o efetivo de salva-vidas e reforçando a segurança ao longo da orla.
Atualmente, o município conta com 91 salva-vidas contratados, além do apoio de 14 profissionais do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia aos finais de semana. Ao todo, são 105 profissionais atuando de forma integrada, distribuídos ao longo dos 42 quilômetros de litoral.
No mês de dezembro, foram registrados 20 casos de afogamento, todos com resgate realizado com sucesso. Já em janeiro, houve 30 ocorrências, igualmente atendidas com êxito.
Aos finais de semana, o Corpo de Bombeiros atua com seis postos de guarda-vidas em funcionamento, além do emprego de duas motos aquáticas e dois quadriciclos, ampliando a capacidade de resposta nas praias do município.
Todos os profissionais envolvidos são devidamente treinados e capacitados e atuam de forma contínua, todos os sete dias da semana.
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