Coronavírus

Estudantes baianas pedem ajuda para sair da Bolívia por causa do coronavírus

Arquivo pessoal

Gabriela e Thalita são de Irecê (BA) e estudam medicina em Cochabamba

Publicado em 31/03/2020, às 18h44    Arquivo pessoal    Samuel Barbosa

Em meio a pandemia do novo coronavírus, também chamado de Sars-CoV-2, países mundo afora tiveram que adotar medidas para evitar a propagação da Covid-19. Entre as ações estão o fechamento de portos, aeroportos, e fronteiras internacionais terrestres. Na Bolívia - país que faz divisa com o Brasil – o governo teve que impor medidas mais duras após o descumprimento da quarentena, e declarou emergência sanitária na última quarta-feira (25), dia em que o país registrava 38 mortos. 

Nesta terça-feira (31), o país já registrava 96 casos de pacientes infectados pela Covid-19 e seis mortos. E é justamente da Bolívia que começam a chegar alguns pedidos de socorro. 

O BNews recebeu informações através do deputado estadual Pedro Tavares, do Democratas, de que estudantes baianos estão na Bolívia sem poder deixar o país por conta do fechamento das fronteiras. Segundo Tavares, com a suspensão das aulas nas universidades há dezoito dias, os estudantes estão em situação precária, com poucos recursos e sem assistência. 

Conversamos por aplicativo de mensagens com a estudante Gabriela Andrade Barros. Natural de Irecê, a 480 Km de Salvador, ela mora com sua irmã Thalita em Cochabamba onde ambas cursam medicina. Gabriela explica que a quarentena teve início há 18 dias e que na cidade já existem dez casos de coronavírus confirmados. “Nosso maior medo é adoecer. Aqui tá sendo implantado o SUS agora e nós estrangeiros não temos direito ao SUS, e a saúde aqui é muito cara, muito cara mesmo. É um absurdo porque é cobrado em dólares”, disse.

Ela ressalta as determinações impostas pelo governo local. “Só podemos sair um dia na semana, isso foi determinado pela presidenta da Bolívia, conformo o último dígito do nosso documento, eu posso sair na sexta e a minha irmã somente na segunda.  Os bancos aqui estão abertos, mais o wester unión e money gram que é o único meio que podemos receber não tá funcionando. Nossa reserva tá acabando e eu tenho amigas que não tem mais nada e não consegue receber”.

Quem se atreve a colocar os pés na rua após o horário permitido pode ficar preso durante oito horas. “Caso a pessoa seja encontrada na rua fora do horário pode pagar uma multa no valor de R$ 700 (mil bolivianos em moeda local), se for de carro o valor aumenta para R$1.200. O portão do nosso prédio também fecha às 11h, caso cheguemos depois corremos o risco de ficar na rua. A situação está muito complicada”, explicou Thalita. 

Gabriela faz um apelo para o governo da Bahia e governo federal. “Estamos aqui em petição praticamente de miséria que já não temos dinheiro, não tem alimentação, os bancos fechados pra wester unión e money gram (...) a gente não tem respaldo do governo em nada que o consulado tá fechado, não responde, não ajuda em nada, a maioria tá com problemas porque não tem como receber dinheiro. Queremos ir embora, porque as coisas podem piorar e o caos vai se instalar. Tem hospital que não aceita nenhum caso que não seja caso respiratório. Tem uma brasileira aqui que está entra a vida e a morte e o hospital não aceita ela porque não é caso respiratório, eles estão sendo omissos para outras enfermidades”. 

O deputado se solidarizou com as estudantes e prometeu informar o fato ao Governo da Bahia, já que existem muitos baianos, em Cochabamba,  na mesma situação. O parlamentar também vai conversar com as autoridades federais para sensibilizar o Governo Federal a fim de uma solução para os brasileiros. 

“É triste sabermos que há conterrâneos sem conseguir sair da Bolívia. Contamos com a sensibilidade de todos para que esses brasileiros sejam assistidos e repatriados de forma digna e segura”, afirmou.

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