Coronavírus

Home office: 60% das empresas não deram suporte ao trabalhador, diz pesquisa

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Levantamento global indica descolamento entre intenção e ação de companhias para o escritório pós-pandemia  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Internet

Publicado em 13/11/2020, às 09h28   Folhapress



Relatório global que trata sobre o teletrabalho na pandemia mostra uma contradição. Ao mesmo tempo em que as empresas dizem acreditar que os funcionários precisarão estar no centro do design dos espaços de trabalho do futuro, a maioria delas reconhece que não mudou as políticas para os escritórios de modo a dar maior suporte aos empregados em trabalho remoto.

O relatório “Local de trabalho inteligente - Moldando experiências de empregados para um mundo transformado", ouviu 1.350 executivos de empresas em 19 países. No Brasil, foram 50 entrevistas.

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Na avaliação da empresa de tecnologia NTT Ltd, responsável pelo levantamento, um dos indicativos de que o apoio a esse novo modelo de atuação está aquém das necessidades é no baixo índice de empresas que mudaram políticas de TI (Tecnologia da Informação).

No Brasil, 40% das companhias disseram ter feito alterações. A média global ficou em 30,7%.

Em muitos casos, empregados colocados em home office devido à pandemia tiveram de usar seus próprios equipamentos, como telefones, celulares e computadores, rede de internet, além de ferramentas e aplicativos de conectividade, para continuar suas rotinas de trabalho.

Para o vice-presidente sênior da NTT Ltd para América Latina, Jefferson Anselmo, o percentual aponta para um descolamento entre a intenção das companhias em reorganizar seus espaços de trabalho e as ações assumidas por elas até agora.

Segundo o relatório, 86,6% das empresas dizem acreditar que os funcionários precisarão ser o coração do desenho dos locais de trabalho do futuro. No Brasil, esse percentual está em 92%.

“Indica que as empresas ainda estão se preparando para as mudanças”, diz Anselmo. Na avaliação do executivo, em agosto, quando a pesquisa foi feita, as empresas estavam em um esforço para tornar o trabalho remoto possível. Agora, começam as preocupações em melhorar as condições.

Uma dessas melhorias estaria no desenvolvimento de novas ferramentas para produtividade e comunicação —caso de 36% das empresas no Brasil e 43,3%, no mundo— e no aumento de recursos de segurança de informação para manter funcionários e organizações seguras, opção adotada por 48% das companhias que atuam no Brasil (a média global é de 46,4%).

Anselmo diz que o percentual “pode parecer baixo”, mas que é necessário ver o número em perspectiva. “Se a gente pensar que a outra metade está se preparando, não é tão surpreendente”, afirma.

“Tornar o trabalho remoto possível era mais importante [nos primeiros meses de pandemia] do que tornar o trabalho seguro. Agora, no momento seguinte, a gente vê uma tendência cada vez maior de as empresas se preocuparem com a segurança desses acessos remotos.”

O relatório da NTT aponta ainda para uma maior flexibilidade do modelo de trabalho, com 84% das companhias brasileiras —acima dos 75% da média global e de 81% no continente americano— concordam que os empregados deverão ter a escolha de trabalhar nos escritórios.

Os encontros presenciais não serão abolidos, mesmo nos casos em que as ferramentas de conectividade já estejam bem integradas à rotina. E essas, por sua vez, também farão com que o retorno aos escritórios não seja mais como antes.

Segundo o relatório, 90% das empresas no Brasil consideram encontros presenciais como essenciais para a construção de espírito de equipe.

No ambiente de trabalho do futuro, os escritórios deverão ficar diferentes ao que conhecemos hoje, uma vez que quase metade das empresas —42% no Brasil— estão revisando a disposição de seus espaços para novas necessidades.

Para o vice-presidente sênior da NTT Ltd para América Latina, os dados do relatório apontam para espaços de reuniões menos formais e mais espaços compartilhados pelos escritórios.

Enquanto o ambiente de trabalho do futuro não chega, os representantes de trabalhadores tentam garantir direitos mínimos para quem está em home office.

A CLT prevê dois tipos de trabalho fora de empresas. Um refere-se ao trabalho no domicílio, o outro ao teletrabalho —esse último incluído pela reforma trabalhista de 2017— e na avaliação de especialistas, nenhum dos dois protege quem foi transferido para casa devido à pandemia.

Com isso, as negociações de data-base começam a incluir regras para esse tipo de atividade, uma vez que as empresas começam a estudar a adoção definitiva do modelo, seja ele parcial ou total.

No início de outubro, a Fequimfar (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas de São Paulo) fechou um aditivo para o acordo da categoria no qual prevê que qualquer responsabilidade pela viabilidade do teletrabalho será do empregador.

A regra vale para “aquisição, manutenção ou fornecimento dos equipamentos tecnológicos e da infraestrutura necessária e adequada à prestação” do serviço.

No setor financeiro, os bancários assinaram em setembro um acordo com o Bradesco prevendo o fornecimento de cadeira, notebook ou computador de mesa, teclado e mouse, ou o pagamento de ajuda de custo não remuneratória para a aquisição desses equipamentos.

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