Coronavírus

Prates sugere que carnaval com mais circuitos poderia ajudar a "dispersar" público e elevar segurança sanitária

Dinaldo Silva / BNews

Secretário de Saúde ressalta que decisão sobre realização da festa ainda será tomada pelo prefeito Bruno Reis (DEM), e que ideias para viabilizar festa em um cenário ainda restritivo são "prematuras"

Publicado em 07/10/2021, às 12h43    Dinaldo Silva / BNews    Nilson Marinho e Marcos Maia

O secretário municipal de Saúde, Leo Prates, afirmou nesta quinta-feira (7) que a dispersão do público em mais circuitos pode ser uma estratégia a ser adotada para realizar o carnaval de 2022 com uma maior segurança sanitária. 

Na última terça-feira (5), o prefeito Bruno Reis (DEM) disse que a realização, ou não, do carnaval do ano que vem, bem como da festa de réveillon deste ano, deve ser anunciada até novembro. Prates falou sobre o assunto ao BNews nesta manhã.

"O ideal do modelo do carnaval é que quanto maior a dispersão, melhor para todos nós. Estamos avaliando com o prefeito a viabilidade econômica [dessa medida] - que precisa existir. Estamos procurando a melhor forma possível, mas primeiro o prefeito precisa tomar sua decisão, que ele ainda não anunciou", ponderou.

Para viabilizar essa dispersão, Prates diz que uma saída seria a criação de novos circuitos ou o estímulo à realização de festas que possam "retirar parte das pessoas do circuito". O titular da pasta reforçou que, no momento, todas essas ideias são "muito prematuras".

Acrescentou ainda que a decisão de promover a festa passa também pelo Governo do Estado - uma vez que, no ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que municípios só poderiam ser mais restritivos que Estados a respeito da adoção de medidas para conter a circulação do novo coronavírus entre a população.

"Como no momento só temos a liberação de festas para mil pessoas, dependemos também de uma decisão do governador", lembrou. Prates participou nesta manhã da inauguração do Complexo de Saúde da Apae Salvador, localizado no bairro da Pituba.

Portais Sanitários

Também na última terça, Reis falou sobre a possibilidade de só permitir a participação popular, no carnaval e no Réveillon, dos cidadãos que comprovarem que completaram a imunização contra a covid-19 - com as duas doses das vacinas ou dose única da Janssen.

Questionado sobre a funcionalidade da medida, Prates defendeu que é possível sim  realizar esse controle sanitário, de forma efetiva, "com muita precisão", no início dos circuitos. O procedimento poderia contar com a participação da Polícia Militar, segundo ele. 

"A gente espera que se possa ter a volta do carnaval e do ano novo, mas com toda a segurança. Em um modelo que as pessoas estejam seguras e a atividade econômica esteja girando", afirmou.

Ele destaca que também que já existe um consenso sobre a necessidade de existirem protocolos de segurança, e sobre a presença de foliões de fora do País.

"Na minha visão o Governo Federal acerta quando proíbe a viagem de pessoas de países africanos para o Brasil, pois há um grande contingente de pessoas que ainda não foram vacinadas no continente. É necessário que não só medidas restritivas a estes países sejam adotadas", continuou.

Nesse sentido, o secretário de Saúde reforçou a importância de países ricos intensificarem a doação de imunizantes a nações mais pobres, ajudando a acelerar o ritmo de vacinação em todo o mundo - e consequentemente, o arrefecimento da pandemia. 

Variante Delta 

Sobre o enfrentamento à Delta, cepa mais contagiosa do Sars-Cov-2, Prates avalia que embora o trabalho realizado em conjunto com o Governo do Estado esteja retornando resultados positivos até o momento, a variante ainda preocupa -  uma vez que não é possível pensar Salvador "desapartada do mundo".

"Ontem tivemos algumas notícias de um aumento de casos no Distrito Federal por causa da variedade delta. Isso preocupa. O Rio de Janeiro já passou por isso", disse, acrescentando que os pontos de regulação do município tem encaminhado entre oito e dez pacientes de covid-19 para UTI por dia. “É um ponto muito bom", avaliou.

O secretário também diz que outro motivo para manter-se alerta são pesquisas em todo o mundo sugerindo um aumento das síndromes gripais graves - que não necessariamente são casos do novo coronavírus - em crianças. Por isso ele defende que a campanha de  imunização seja ampliada para faixa entre seis e onze anos. 

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