Coronavírus

Covid-19: Quando e qual teste deve ser feito por quem apresenta sintomas da doença?

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O aumento considerável de casos nos últimos dias tem feito o número de testes disparar no país

Publicado em 06/01/2022, às 20h02    Pixabay    Redação BNews

O mundo voltou a registrar um aumento surpreende dos casos de Covid-19 após as festas de fim de ano e o avanço da variante ômicron é considerado um dos principais fatores para essa escalada.

Aqui no Brasil, o apagão nos dados do Ministério da Saúde que já dura mais de um mês, após um ataque hacker no início de dezembro, tem causado problemas na notificação dos casos pelas secretarias de saúde estaduais e impedido análises para se desenhar o real cenário da crise sanitária no país.

O conhecimento do aumento expressivo nos casos nos últimos dias tem se devido aos relator de profissionais que atuam na linha de frente em hospitais, pronto-socorros e laboratórios de diagnóstico.

Por falar nesse aumento de casos, sempre surge a dúvida de qual exame fazer para verificar se a pessoa está ou não com o coronavírus. São muitas as perguntas. Quais testes Uma pessoa como febre, tosse, cansaço, perda de paladar ou olfato, dores, entre outros pode fazer para saber se está com a doença?

RT-PCR

Possui alto grau de confiança, mas sempre há uma demora na divulgação do resultado.

Entretanto, é considerado "padrão ouro" pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pois traz os resultados mais confiáveis e define se um indivíduo está com Covid-19 ou não.

O exame é feito a partir do swab nasal e oral, por meio do qual uma haste flexível com algodão na ponta é esfregada no fundo do nariz e da boca para coletar uma amostra do paciente para detectar se há a presença do material genético do coronavírus.

Os laboratórios costumam orientar que a coleta aconteça entre o terceiro e o sétimo dia após o início dos sintomas, já que o RT-PCR detecta o RNA (material genético do vírus), e essa janela de tempo é o período da infecção em que há mais atividade viral e é mais provável encontrar o causador da Covid-19 lá no fundo da garganta.

Mesmo o exame sendo o queridinho por ter um allto grau de confiabilidade, ele é mais caro (chega a custar entre 200 e 400 reais na rede privada) e tem a demora no resultado que pode demorar mais de um dia para ficar pronto.

Outra opção, que se tornou mais popular recentemente com a epidemia de gripe H3N2 que atinge várias cidades brasileiras, são os chamados painéis virais.

Esses exames são capazes de analisar e diferenciar se a pessoa está infectada com o coronavírus, o influenza (causador da gripe) e o vírus sincicial respiratório (um dos causadores do resfriado), entre outros patógenos.

Antígeno

Também conhecido como teste rápido, o exame apresenta resultados menos certeiros, por ser “menos sensível”, mas possui maior acessibilidade para o paciente e o resultado é bem mais rápido, ficando pronto, muitas vezes, na hora.

A taxa de falsos negativos, que é quando o exame diz que a pessoa não está com Covid, mas, na verdade, ela tem a doença, é um pouco mais alta nos testes de antígeno.

Por conta disso, alguns locais e instituições recomendam o teste de antígeno seja repetido por vários dias consecutivos (às vezes, durante uma semana inteira), para se garantir a detecção do coronavírus em algum estágio do processo infeccioso, caso ele realmente esteja no organismo daquele indivíduo.

Para a infectologista Carolina Santos Lázari, do Grupo Fleury, "Os testes de antígeno conseguem entregar o resultado num prazo mais curto, sem a necessidade de centralização das amostras e dos laudos. Eles podem ser bastante úteis numa situação de alta demanda".

E completa: "Esses exames dão um suporte importante para o diagnóstico precoce e rápido, capaz de interromper as cadeias de transmissão do vírus na comunidade".

Esse exame também é feito a partir do swab nasal e oral, que coleta o material no fundo da boca e do nariz. Porém, a diferença para o RT-PCR é que este avalia a presença do material genético e o antígeno busca a proteína N na amostra.

E aqui também existe uma janela ideal para fazer o teste, devendo ser realizado após três dias do início dos sintomas.

Segundo Alberto Chebabo, da Dasa, rede de laboratórios, hospitais e outros serviços privados de saúde, "Esse tempo de espera é desejável porque o paciente pode apresentar uma carga viral mais baixa nos primeiros dias, o que reduz a sensibilidade do teste de antígeno e pode levar a um resultado falso negativo".

Quando fazer os testes?

Segundo os especialistas, o indivíduo deve fazer algum teste se está com um ou mais dos sintomas típicos da doença ou se teve contato próximo com alguém que está com suspeita ou já recebeu o diagnóstico de Covid.

"Alguns países também possuem políticas para distribuir os testes como forma de rastreamento, com o objetivo de identificar os pacientes sem sintomas e isolá-los precocemente, antes que eles transmitam o vírus adiante", acrescenta Chebabo.

Após o laudo ficar pronto, se o resultado for negativo, lembre-se que é preciso ponderar esse diagnóstico especialmente se você tiver feito o teste de antígeno, em que o risco de um falso negativo é mais alto.

Os autotestes

Em diversos países é possível encontrar testes de antígeno que podem ser feitos em casa, pela própria pessoa que está com suspeita de Covid, por meio de kits vendidos em farmácias e supermercados por um preço muito acessível (em torno de 5 a 30 reais na Alemanha, por exemplo) e são até distribuídos gratuitamente para a população.

No nosso país, porém, os autotestes não estão liberados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.

Perguntada pela BBC News Brasil sobre os motivos de esse teste não estar disponível no Brasil, a Anvisa argumentou que "outros países que adotaram a abordagem de execução de testes in vitro para Covid-19 fora do ambiente laboratorial detém critérios sanitários direcionados a tais situações e estabeleceram políticas públicas na perspectiva do combate à disseminação do coronavírus".

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