Justiça

Ação do dono do Rock in Rio Café pode colocar em risco realização do Festival da Virada

Roberto Viana // BNews

“Nesse sentido, requer a suspensão de qualquer evento no local objeto da lide, qual seja, o local do antigo Aeroclube”

Publicado em 20/12/2017, às 16h47    Roberto Viana // BNews    Redação BNews

A Aeroclube Entretenimento LTDA, que atuava sob o nome de fantasia “ROCK IN RIO CAFÉ SALVADOR”, famosa casa de shows que recebeu artistas como Claudia Leitte, Psirico e Margareth Menezes, requereu, através de ação de tutela cautelar, o embargo de todo e qualquer evento na região que está sub judice, onde acontecerá o Festival da Virada, festa de réveillon organizada pela prefeitura de Salvador. O pedido foi protocolado na 8ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Salvador, nesta terça-feira (19).

“Nesse sentido, requer a suspensão de qualquer evento no local objeto da lide, qual seja, o local do antigo AEROCLUBE, dado que sobre aquele espaço reside lide que não foi finda, e a mesma sorte que amargou o ora Interessado, poderá recair sobre os demais que ali se instalarem, tendo em vista a insegurança jurídica que perpassa nas relações entre o Estado e o Cidadão”, consta no pedido de embargo. 

O pedido foi feito pelos advogados do empresário Herder Mendonça, dono do Rock in Rio Café, estabelecimento comercial de sucesso que funcionava no Aeroclube. Em entrevista ao BNews, ele explicou como começou todo o problema: “infelizmente o sucesso do Rock in Rio não foi o sucesso do Aeroclube. Tinha falta de ar-condicionado e queda de energia, o que quebrou muitas lojas, entre lanchonetes, sorveterias, restaurantes e barzinhos. Chegou um tempo que o Aeroclube ficou só com o cinema e Rock In Rio. Em 15 de agosto de 2007 a Nacional Iguatemi, dona do Aeroclube, entrou com uma imissão de posse que não estava julgada, entrou na casa e quebrou tudo”.

Herder afirmou à reportagem que à época procurou o Ministério Público da Bahia e a Polícia Civil para denunciar o ocorrido. “Em 2004 a Nacional Iguatemi processou a prefeitura de Salvador, na gestão de João Henrique, dizendo que a culpa de o shopping estar acabado era do poder público e queria indenização, e conseguiu. No mesmo período, processou a mim justificando que o shopping era ótimo, que funcionava bem, e que o Rock in Rio que não pagava. Percebam a contradição da Nacional Iguatemi”.

O empresário destacou, então, de que forma a prefeitura entrou na história: “A Nacional Iguatemi chama a prefeitura pra entrar na lide (a prefeitura queria fazer um novo negócio lá, segundo Herder), o que fez mudar a competência do processo da Vara Cível para a Fazenda Pública, onde ficou oito anos. Quando chegou na gestão de ACM Neto, até por ele ser dono do Psirico, eu pensei que ia resolver. O que aconteceu? Neto saiu da lide e o processo voltou para a 15ª Vara Cível, atrasando ainda mais o caso”.

Herder também entrou com representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde “explico, detalhadamente, toda a engenharia jurídica feita pela Nacional Iguatemi, bem como os absurdos jurídicos que houveram em até cancelar decisões de primeiro e segundo grau, retroagindo para a estaca zero”.

Diante do imbróglio judicial, o empresário Herder Mendonça resolveu acionar os advogados para que fizessem o pedido do embargo de todo e qualquer evento na região do Aeroclube, o que compromete, caso seja julgado procedente, o Festival da Virada, organizado pela prefeitura, que tem confirmadas atrações como Ivete Sangalo, Marília Mendonça, Luan Santana e Pabllo Vittar. 

Indignado, o empresário fez um desabafo: “diante disso tudo minha única opção é pedir o embargo da área. Precisa fazer perícia, fazer muita coisa. Claudia Leitte começou no Rock in Rio, Psirico começou lá, A Melhor segunda-feira do mundo também começou lá. Hoje falta palco na Bahia para tocar, e por isso a música da Bahia está descendo ladeira a baixo. É essa a mensagem que quero deixar”.

Procurada, a assessoria de imprensa da prefeitura não retornou até o fechamento desta matéria.

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