Meio Ambiente

BNews Junho Verde: Sustentabilidade nas escolas na formação de cidadãos mais conscientes

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Falar de sustentabilidade é também sobre educação e formação de gerações que entendam o impacto de suas ações  |   Bnews - Divulgação Reprodução / SEC / Douglas Amaral
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 04/06/2026, às 05h00



Falar de sustentabilidade é também sobre educação e formação de gerações que entendam o impacto de suas ações no meio ambiente. E quando se trata do processo de aprendizagem, os colégios têm trabalhado de forma contínua com temas que versam sobre essa lógica, estabelecendo projetos que envolvem a comunidade escolar, para a formação de cidadãos mais conscientes.

É o caso do Colégio Estadual de Tempo Integral Gonçalo Muniz, em Salvador, no qual a sustentabilidade deixou de ser apenas tema de aula e passou a fazer parte da rotina. O BNews Junho Verde foi acompanhar como a escola mostra esses projetos ambientais, com trabalhos de hortas, compostagem e ações de conscientização que ajudam a formar uma geração mais atenta ao meio ambiente e ao cuidado coletivo.

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A experiência da unidade revela como projetos ambientais podem transformar hábitos, aproximar a comunidade escolar da pauta socioambiental e incentivar atitudes que os alunos levam para além dos muros das escolas. 

A coordenadora de Educação Ambiental, Saúde e Sustentabilidade da Secretaria de Educação do Estado (SEC), Joyce da Paixão, explica que o tema é trabalhado de forma contínua ao longo de todo o ano letivo, em diferentes frentes.

“As temáticas de educação ambiental e sustentabilidade são trabalhadas de forma contínua ao longo do ano letivo, integradas aos componentes curriculares, às práticas pedagógicas e às vivências da comunidade escolar, fortalecendo a consciência ambiental no dia a dia dos estudantes”, afirmou. 

Segundo ela, a proposta é fazer com que o assunto esteja presente nas disciplinas, nas ações internas e na relação dos alunos com o espaço onde estudam. Entre os projetos em andamento, Joyce destaca o Juventudes em Ação (JA), iniciativa que fortalece a Educação Ambiental e ajuda na construção da Agenda 21 Escolar. Dentro dela, ganham força as COM-VIDA, comissões que mobilizam a comunidade escolar para debater e enfrentar questões socioambientais.

“Dentro desse projeto, destacam-se as COM-VIDA, comissões que mobilizam a comunidade escolar para discutir e enfrentar questões socioambientais, além das Hortas Escolares, que funcionam como espaços de aprendizagem prática, promovendo sustentabilidade, alimentação saudável e responsabilidade coletiva”, explicou.

Na prática, a escola aposta em ações que permitam ao estudante aprender fazendo. Joyce conta que muitas unidades trabalham com hortas escolares, coleta seletiva e compostagem. “Sim, muitas unidades escolares desenvolvem iniciativas práticas como hortas escolares, ações de coleta seletiva e compostagem”, disse. 

Ela reforça que a horta aproxima o estudante da natureza e reforça temas como segurança alimentar e cuidado com o ambiente. Já a compostagem, segundo a coordenadora, transforma resíduos orgânicos em adubo utilizado na própria escola. “A compostagem transforma resíduos orgânicos em adubo utilizado nas próprias hortas escolares”, afirmou. Além disso, diversas escolas também promovem gincanas e projetos de coleta seletiva para incentivar atitudes sustentáveis no cotidiano.

Colégio Estadual de Tempo Integral Gonçalo Muniz Fotos: Douglas Amaral

Reflexo no comportamento

Joyce destaca como os projetos envolvem toda a comunidade escolar, no qual estudantes, professores e funcionários participam das ações e ajudam a construir uma cultura ambiental dentro da unidade. “Os projetos envolvem toda a comunidade escolar, com a participação ativa de estudantes, professores e funcionários nas ações e atividades desenvolvidas no cotidiano das unidades escolares”, explicou. Ela acrescenta que há parceria com outras secretarias, instituições e empresas, o que fortalece a execução das atividades. 

Os reflexos, segundo a coordenadora, já aparecem no comportamento dos alunos. “Percebemos estudantes mais conscientes, participativos e comprometidos com atitudes sustentáveis no dia a dia, além de maior cuidado com os espaços coletivos e fortalecimento do protagonismo juvenil nas ações socioambientais”, disse.

Na visão da coordenadora, o que os alunos aprendem dentro da escola acompanha a vida fora dela. “Acreditamos que os estudantes levam valores como responsabilidade, cuidado com o meio ambiente, consciência coletiva e atitudes mais sustentáveis, que passam a refletir também em suas famílias e comunidades”, disse.

Ela também chamou atenção para projetos científicos produzidos pelos próprios estudantes, muitos deles com reconhecimento fora do país. “Muitos projetos científicos voltados para educação ambiental e sustentabilidade, temos diversos projetos científicos desenvolvidos por nossos estudantes, inclusive muitos viajam para fora do Brasil para apresentar esses projetos”, contou. 

Apesar dos avanços, Joyce afirma que ainda existem desafios para manter as ações vivas e em expansão. “Os principais desafios são garantir a continuidade das ações, ampliar o engajamento de toda a comunidade escolar e fortalecer o apoio com parcerias e formação continuada para os educadores”, explicou.

Ela também reconhece que há estrutura, mas que sempre é possível ampliar. “Apesar dos avanços e do apoio que nunca nos faltou, sempre queremos mais, seja para ampliar recursos, parcerias e investimentos para garantir a expansão contínua das ações de educação ambiental”, afirmou.

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Impacto estudantil

Entre os alunos, a percepção é parecida. Luan Gustavo Mendes Jordão, estudante do 2º ano, define sustentabilidade de forma simples e prática. “No meu ponto de vista, sustentabilidade ajuda a natureza de forma afetuosa. Onde qualquer cuidado com ela se torna algo grandioso, seja da torneira que desligamos para não gastar água desnecessariamente, a uma planta que plantamos, reciclar lixo… Ou seja, tudo que fazemos na natureza de forma consciente para ajudá-la”, afirmou. 

Ele conta que na escola o tema aparece com frequência e que a unidade desenvolve um projeto específico sobre o assunto. “Sim. A minha escola não só fala com frequência do meio ambiente, como temos um projeto sustentável sobre ele”, disse.

Luan participa de um projeto que reaproveita cascas de alimentos para produzir adubo e explica que o contato com a compostagem despertou sua curiosidade e mudou sua forma de enxergar o tema. “Eu participo do projeto do resíduo ao Adubo do meu colégio, onde nós conseguimos transformar os restos de cascas de alimentos em adubo para plantas. Esses projetos ajudam os alunos a refletirem suas ações em relação à natureza, pois se torna um processo interessante”, relatou. 

Ele lembra que ficou impressionado quando conheceu a iniciativa. “No meu caso, quando conheci o projeto da minha escola, eu fiquei extremamente encantado, eu parei para observar cada detalhe do processo de compostagem, e a cada passo a passo eu me interessava mais”, contou. 

As mudanças também chegaram à casa dele. Luan diz que passou a reaproveitar cascas, a usar melhor a água e a prestar mais atenção ao que descarta. “Na minha família, e especificamente na minha casa tem muitas plantas, e nós desperdiçamos muitíssimas cascas, nós podemos utilizá-las para fazer o adubo, porque além de não desperdiçar, a gente estaria cuidando de algo novo e futuro”, explicou.

Ele também citou um hábito simples que mudou: “Além da maneira que antes eu enchia o copo de água e bebia 2 goles e jogava o restante fora, agora eu jogo nas plantinhas”. 

Para ele, projetos como esses têm impacto também fora da escola. “Esse tipo de projeto ajuda sim no bairro, pois muitas pessoas não aplicam a ajuda ao meio ambiente, então se todos fizessem o mesmo, estaria um caos, Se uma única pessoa já faz diferente, já ajuda”, afirma.

Luan ainda sugeriu mais ações dentro da escola, como um “dia sem plástico”, para reduzir o uso de copos descartáveis e sacolas. “Criação de um dia sem plástico na escola, para ajudar na questão dos copos descartáveis, sacolas, que demoram um tempão para se degradar na natureza”, conta.

Por fim, ele acredita que campanhas de conscientização ambiental podem ampliar ainda mais o alcance do trabalho. “No momento eu acho a minha escola bem sustentável, mas eu colocaria mais campanhas de conscientização ambiental para os alunos”, disse.

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