Sentada no sofá da sala, onde, pela manhã e à noite, costumava tomar café com o filho, e cercada por porta-retratos que a fazem manter a lembrança de Daniel, Dona Graça revelou não sentir raiva do acusado, o advogado e professor universitário Roberto João Starteri Sampaio Filho. "A hora que Daniel entrou na pista, ele (Roberto) não estava na pista", contou, já trazendo à tona o inquérito policial que indicia o acusado por crime doloso, quando há a intenção de matar.
Dona Graça, quando questionada sobre as declarações da defesa do advogado disse que não consegue assistir. "Não consigo ver, dói. Não tenho raiva, mas é dor física. Não suporto ver". Sobre a declaração da defesa de que Daniel furou o sinal, Dona Graça rebate: "Se você para no sinal naquela hora você é assaltado, ou, se você passa, vem outro e te mata".
No dia da morte do filho, Dona Graça estava na cidade de Ribeirão Preto, em São Paulo, cuidando da mãe que faleceu no dia 29 de agosto, última vez que ela viu o filho. "Ele foi ao velório da avó. De lá, continuei em Riberão Preto e ele seguiu para João Pessoa, onde estava fazendo uma campanha", contou. No dia 8 de novembro, a ligação que ela não gostaria de receber. "O pessoal do HGE me ligou e disse que meu filho tinha sofrido um acidente. Não pensei em nada grave. Tinha esperança em ver meu filho vivo", relatou, tentando segurar as lágrimas.
Filho único, Daniel Prata deixou uma recordação de "querido, amado". "Ele vinha almoçar comigo porque era pertinho o trabalho aqui de casa. Era responsável... agora ele se foi". Morando sozinha após ter perdido o marido, pai de Daniel, quando o publicitário tinha apenas dois meses, a mãe, desolada, se diz forte, mas admite estar sob efeito de remédios e acompanhamento médico. "Fui ao psiquiatra, tomo remédios. Não acho que estou em depressão. Mas, choro muito. Ontem mesmo fui a uma missa de sétimo dia de um amigo e chorei muito por entender a dor daquela família".
Ainda sem decidir se continua no apartamento onde vive há 35 anos, local onde Daniel cresceu e viveu, Dona Graça cerca-se de plantas que embelezam o ambiente e de uma tranquilidade que ela tenta internalizar. Sozinha e chorando nos fins de tarde, ela fez um apelo ao Ministério Público, que terá o papel de decidir pelo crime doloso ou culposo. No vídeo, Dona Graça também manda um recado aos jovens e ao advogado de defesa do acusado, Sérgio Habib.
Antes da reportagem deixar o local, Dona Graça faz questão de abraçar um por um e oferece um suco, como se quisesse que ali ficássemos. Diante do sofrimento e da saudade, ela resume a perda de Daniel e, em relato emocionante, sentencia aquilo que inquéritos, defesa, acusação e imprensa não conseguem traduzir. "Minha família acabou!".