Justiça

Apresentador é condenado após chamar modelo trans de raça desgraçada

Agência Brasil

Sikêra Jr., da RedeTV, terá de pagar R$ 30 mil à modelo Viviany Beleboni, que encenou a crucificação de Cristo na Parada LGBT

Publicado em 07/08/2020, às 09h25    Agência Brasil    Rogério Gentile/Folhapress

O apresentador Sikêra Jr., da RedeTV, foi condenado a pagar R$ 30 mil de indenização para a modelo transexual Viviany Beleboni, que ficou famosa em 2015 por representar Jesus Cristo crucificado em uma encenação durante a Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).

Sikêra, que já foi chamado de “o apresentador dos Bolsonaros” por ser considerado pela família do presidente como um exemplo de conservadorismo, utilizou a imagem da modelo ao tratar de um crime cometido por um casal de mulheres lésbicas.

Isto é um “lixo”, uma “bosta”, uma “raça desgraçada”, afirmou o apresentador, em seu comentário. O apresentador defendeu-se no processo dizendo que em momento algum quis compará-la às assassinas e que “apenas emitiu opinião sobre movimentos que, como a Parada Gay e seus adeptos, tratam com chacota os símbolos do cristianismo”.

“Ao sair desfilando vestida de Jesus Cristo, deveria ter previsto que tal manifestação chocaria a sociedade”, afirmou no processo a advogada Viviane Barros Vidal, que o representa.

O juiz Sidney da Silva Braga disse em sua decisão que ficou demonstrado que Sikêra se utilizou da transexualidade e da imagem da modelo para associá-la à prática de um crime. “O fato de a autora ser artista reconhecida não autoriza que possa ter sua imagem exposta sem autorização e ser chamada de ‘raça desgraçada’ em contexto de crítica à prática de um crime que com ela não tem qualquer relação”, disse na sentença.

O magistrado determinou, além da indenização, que a imagem da modelo seja retirada da reportagem sobre o crime, postada no youtube. Cabe recurso à decisão.

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