Justiça

Advogado baiano desabafa sobre novo pedido para apreensão de seu celular e bloqueio de contas

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Advogado afirma que está havendo criminalização da advocacia  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Lucas Pacheco

por Lucas Pacheco

lucas.pacheco@bnews.com.br

Publicado em 26/08/2024, às 13h56



O advogado baiano Marinho Soares publicou, na manhã desta segunda-feira (26), um vídeo em seu perfil oficial no Instagram desabafando sobre um novo pedido que a Polícia Federal teria feito à justiça para apreensão do seu aparelho celular e também o bloqueio das suas contas. 

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No início de agosto, o advogado foi alvo de busca e apreensão durante a segunda fase da Operação Cianose, da Polícia Federal, que investiga desvios de recursos na compra de respiradores pelo Consórcio Nordeste. 

Segundo Marinho, que teria recebido honorários de um dos investigados, "quem criminaliza a advocacia está matando o Estado Democrático de Direito". 

"Olá, pessoal! Eu vim aqui dividir uma preocupação que eu tô tendo com vocês. Eu tô embarcando agora para a Universidade Federal do Piauí, onde eu vou dar uma palestra, mas eu queria dividir com vocês a gravidade do problema que eu tô muito refletindo sobre isso. O que acontece? Lembra aquela delegada da Polícia Federal que colocou no parecer dela disse que eu faço... que eu tenho um vasto material nas redes sociais abertas discutindo raça? Ela agora pediu ao juiz para, de novo, apreender o meu celular e bloquear minhas contas porque falou que eu recebi de empresas que estão sendo investigadas. E aí vem as perguntas, né? Não tem como você calar. Os empregados dessa empresa também vão ser investigados? Também vão sofrer busca de apreensão, também vão ter contas bloqueadas? Ou é só o advogado que tem que ter as contas bloqueadas e o celular apreendido porque recebeu o dinheiro da empresa que está sendo investigada? O empresário, gente, ele gera riqueza. O empresário gera tributo, o empresário gera emprego e o empresário não tem direito a pagar o advogado para defendê-lo? Onde é que nós vamos chegar quando a gente criminaliza a advocacia? Eu queria aqui ressaltar, já que o juiz, né, ele concedeu isso, eu gostaria de chamar a atenção mais uma vez, que, na ditadura, o Policial Federal ele não é cassado, mas o magistrado ele é cassado na ditadura. Só observem o que aconteceu com o saudoso professor Evandro Lins Silva, um dos maiores penalistas desse país, quando ele era ministro do Supremo Tribunal Federal. Quando a ditadura começou, a primeira coisa que fez foi o quê? Foi cassá-lo. Porque ele lutava veementemente em prol da democracia, em prol da advocacia. Então, senhores magistrados, juiz também é cassado na ditadura. Eu fico muito triste com isso. Quando eu vejo o magistrado, ainda que seja sem atenção, eu acredito que seja, flertando com a ditadura. Tá certo? E assim, eu gostaria aqui de ressaltar mais uma vez que quem criminaliza a advocacia está matando o Estado Democrático de Direito. Quer dizer que o empresário não tem direito a um advogado? Quer dizer que porque a imprensa está sendo investigada, o empresário não pode contratar? Onde é que vocês vão chegar com isso? Onde vocês querem chegar? Por fim, eu gostaria de agradecer, ou melhor, eu quero agradecer o empenho pessoal da Drª Daniela Borges, presidente da OAB Bahia, e do Dr Beto Simonetti, presidente da OAB Nacional, pelo empenho pessoal, nesse caso, de criminalização à advocacia. E também eu quero terminar dizendo o seguinte, vocês podem, sim, apreender o meu celular, mas vocês nunca vão apreender a minha vontade de lutar por um país justo e igualitário. Vocês podem até bloquear as minhas contas, mas vocês nunca vão bloquear a minha resistência de lutar por um estado democrático de direito. Viva a advocacia!"

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