Justiça
por Bruna Rocha
Publicado em 29/11/2025, às 12h46
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou a condenação de 14 pessoas pelos crimes de lavagem de dinheiro. Dessas, 13 também foram condenadas por integrar organização criminosa. As penas variam de 8 a 21 anos de prisão.
Segundo as investigações, o grupo atuou entre abril de 2019 e julho de 2024, utilizando uma rede de empresas de fachada com base em Uberlândia (MG) e ramificações em Foz do Iguaçu (PR) para ocultar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas e de crimes violentos contra o patrimônio, incluindo o resgate de uma vítima de sequestro no Rio de Janeiro.
A apuração foi realizada no âmbito da Operação Terra Fértil, conduzida pela Polícia Federal e pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF em Minas Gerais. Segundo o órgão, a organização possuía estrutura estável, alcance em diversos estados e divisão clara de tarefas:
A prática dos crimes foi comprovada por laudos periciais, registros contábeis falsificados e comunicações eletrônicas obtidas durante a investigação. O objetivo central do grupo, segundo o MPF, era ocultar ou dissimular a origem, natureza, movimentação e propriedade de valores ilícitos.
O esquema de lavagem de dinheiro ocorria em três etapas: colocação, estratificação e integração. E se apoiava em uma rede complexa de empresas de fachada, ao menos seis, formalmente ligadas a atividades como comércio de alimentos ou criação de gado. Na prática, movimentaram milhões de reais, incompatíveis com suas atividades declaradas, e eram controladas por laranjas para ocultar os verdadeiros beneficiários.
Os dois líderes da organização, apontados como beneficiários finais dos recursos ilegais, foram condenados a 21 anos e 1 mês de reclusão cada.
Os oito integrantes do núcleo gerencial receberam penas entre 10 e 17 anos, enquanto os três membros do núcleo contábil, sediado em Foz do Iguaçu, foram condenados a 8 a 10 anos de prisão.
O último réu, responsabilizado apenas por lavagem de dinheiro envolvendo negociações de aeronaves, foi condenado a 8 anos e 10 meses.
Além das penas privativas de liberdade, todos os condenados deverão reparar danos no valor de R$ 508 milhões. A Justiça também acolheu o pedido do MPF para o perdimento por equivalente, permitindo o uso de bens de origem lícita para garantir o ressarcimento. Todos os bens, valores e direitos apreendidos foram declarados definitivamente perdidos em favor da União.
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