Justiça

Além do conflito: violência no trabalho vira "bomba relógio" jurídica e estratégica para empresas

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Dados alarmantes mostram o aumento de processos de assédio moral no Brasil  |   Bnews - Divulgação Foto: Divulgação
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 25/02/2026, às 12h09



O tempo em que o assédio e a violência no trabalho eram vistos apenas como uma "briga entre colegas" ou um problema de comportamento isolado ficou para trás. Hoje, o cenário mudou: o que antes era uma questão interpessoal agora é tratado como risco institucional. Na prática, isso significa que a empresa, e não apenas o agressor, está na mira direta da Justiça e dos órgãos de fiscalização.

O sinal de alerta é corroborado por números pesados. Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) mostram que, em 2025, o Brasil registrou cerca de 142 mil novos processos de assédio moral, um salto de 20% em apenas um ano. No Ministério Público do Trabalho (MPT), as denúncias passaram de 18 mil, provando que o trabalhador está mais consciente e os canais de denúncia, como o Disque 100, mais acessíveis.

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Para a advogada trabalhista e consultora Maria Renata Carvalho, o momento é de virada de chave. "As violências no trabalho não podem mais ser tratadas como episódios desconectados da gestão. Elas representam riscos jurídicos, financeiros e, principalmente, reputacionais que podem destruir o valor de uma marca", explica.

O peso da NR-1 e a saúde mental
Não é apenas uma questão de "bom senso". A lei apertou o cerco. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) trouxe para o centro do jogo o gerenciamento de riscos psicossociais. Ou seja: a empresa agora é obrigada a mapear o que pode adoecer a mente do funcionário, da mesma forma que mapeia o risco de um acidente com máquinas.

De acordo com Maria Renata, a omissão na criação de políticas claras ou a falha em apurar denúncias pode ser interpretada como negligência empresarial. "Hoje, saúde e segurança não se limitam ao capacete e à bota. A saúde mental e a qualidade das relações integram o dever de cuidado do empregador", pontua a especialista.

Prevenção é estratégia, não custo
O impacto de um ambiente tóxico vai muito além da sala de audiência. Ele gera o chamado "turnover" (rotatividade de pessoal), perda de talentos e o aumento de afastamentos médicos.

Para estruturar uma defesa sólida e um ambiente saudável, a especialista defende que as empresas se apoiem em três pilares fundamentais:

  • Capacitação contínua: Treinar lideranças para identificar sinais de abuso.
  • Políticas internas claras: Regras que não fiquem apenas no papel, mas que sejam aplicáveis.
  • Canais de denúncia seguros: Procedimentos técnicos para receber e apurar queixas com sigilo.

"A prevenção é sempre menos onerosa do que o litígio. Empresas que compreendem que o ambiente de trabalho é parte da estratégia de negócio demonstram maturidade e compromisso com o futuro", conclui Maria Renata.

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