Justiça

Após pressão, presidente do TJBA exonera servidor acusado de assédio sexual

Foto: Divulgação
Provas do caso serão enviadas à Polícia Civil e ao Ministério Público, com desdobramentos na esfera criminal após exoneração  |   Bnews - Divulgação Foto: Divulgação
Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 04/09/2025, às 09h00 - Atualizado às 21h00



Um dos casos mais comentados no Judiciário baiano chegou a um desfecho significativo nesta quinta-feira (4). A presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), desembargadora Cynthia Maria Pina Resende, assinou a exoneração do servidor acusado de assédio, ameaças e outros atos graves contra funcionários terceirizados. 

A decisão, que encerra a carreira do funcionário no órgão, foi tomada após a repercussão de denúncias e a manutenção do processo administrativo pela Corregedoria, como noticiado pelo BNews nesta quarta-feira (3). Com a exoneração, o processo de demissão que tramitava no Conselho da Magistratura perdeu o objeto.

O servidor, que ocupava um cargo em comissão de Chefe de Seção na Assessoria de Comunicação do TJBA, não faz mais parte do quadro de pessoal do Tribunal. A exoneração foi vista nos bastidores como uma resposta direta à pressão pública e de setores internos por uma medida enérgica por parte da presidente, que estaria acobertando o autor do crime.

A exoneração acontece logo após a Corregedoria Geral da Justiça, sob a liderança do desembargador Roberto Maynard Frank, ter mantido o processo administrativo disciplinar contra o servidor. O corregedor indeferiu o pedido de reconsideração do funcionário, reafirmando a existência de "elementos suficientes de autoria e materialidade" para a punição. As acusações contra o servidor, detalhadas nas investigações, incluíam ameaças a uma vítima, seus familiares e testemunhas e prática de atos libidinosos e abusivos dentro da sede do Tribunal.

Destino das provas

Além do desligamento do servidor, o processo administrativo terá desdobramentos na esfera criminal. Conforme os documentos do processo, as provas colhidas, incluindo depoimentos e documentos, serão encaminhadas para a Polícia Civil e para o Ministério Público da Bahia (MPBA).

Segundo informações de bastidores, a notícia do desligamento trouxe grande alívio para funcionários, em especial os terceirizados, que se sentiram diretamente impactados pela conduta do ex-servidor.

Nota do TJBA

"O Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, em face de matéria veiculada na imprensa, vem a público informar que adota todas as medidas administrativas cabíveis quanto à apuração de fatos relacionados à sua gestão de pessoal, sempre em observância aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade e moralidade.

Esta Corte reafirma sua tarefa permanente com a manutenção de um ambiente de trabalho respeitoso e seguro para todos aqueles que desempenham suas atividades profissionais nesta instituição.
A Corregedoria-Geral de Justiça e a Corregedoria das Comarcas do Interior adotam  os procedimentos legais que lhe cabem para apurar os eventuais ilícitos praticados por magistrados e servidores, sendo assegurados o contraditório e a ampla defesa. 
O Tribunal de Justiça da Bahia mantém seu compromisso institucional com a transparência e com o cumprimento de sua missão que consiste em assegurar o acesso à Justiça visando a paz social.
A presidente do TJBA, desembargadora Cynthia Maria Pina Resende, reafirma seu empenho com a verdade e confia na apuração imparcial dos fatos pelos órgãos responsáveis".

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)