Justiça
A sustentabilidade no Poder Judiciário vai muito além da economia de papel ou de energia. Essa foi a principal mensagem da especialista Ketlin Feitosa durante o 3º Congresso de Direito e Sustentabilidade, que aconteceu no Palacete Tiradentes, em Salvador, nos dias 11 e 12 de setembro. Ela é a “mãe” da resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que obriga a instalação de comissões de sustentabilidade em todos os tribunais do país.
Em entrevista exclusiva ao BNews, Feitosa detalhou como a agenda ESG (Environmental, Social and Governance) se tornou uma ferramenta de transformação na Justiça, gerando impacto ambiental e, sobretudo, social.
Com uma bagagem de 30 anos no serviço público federal, Ketlin Feitosa afirmou que “a sustentabilidade tem um poder transformador nas organizações”. Ela relembrou sua jornada, que incluiu a criação da primeira unidade de sustentabilidade no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a coordenação de um projeto pioneiro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“O Judiciário já está engajado nessa pauta, não é algo de agora”, garantiu. No TSE, ela liderou a destinação de urnas eletrônicas que, com o fim da vida útil, estavam apenas acumulando espaço. Em vez de descartar, a equipe de Ketlin desenvolveu um plano para leiloar o material, que é transformado em novos produtos. “O plástico das urnas agora vira carenagens de motocicleta e até solado de sandália. Isso é a economia circular funcionando na prática”, explica.
A especialista também ressaltou que a sustentabilidade não se limita à dimensão ambiental. “A sustentabilidade tem que ser de múltiplas dimensões, de modo que a gente entregue justiça para a sociedade”, defendeu. Ela destacou a criação da política de sustentabilidade que hoje é referência para 96 tribunais no país.
Ela destacou também a norma do CNJ que estabelece cotas em contratos de serviços terceirizados no Judiciário para grupos sociais vulneráveis, como mulheres em situação de violência doméstica e egressos do sistema prisional. “A sustentabilidade não pode ser só um conceito, precisa ter um propósito social”, concluiu a especialista.
Confira a entrevista na íntegra:
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