Justiça

Brasil e Argentina firmam acordo para combater violência nos estádios com foco no racismo

Maycol Douglas e Claudia Cardozo
Acordo foi firmado em evento no Museu da Misericórdia, em Salvador  |   Bnews - Divulgação Maycol Douglas e Claudia Cardozo
Maycol Douglas

por Maycol Douglas

maycoldouglascleide@gmail.com

Publicado em 05/11/2026, às 16h41



Um acordo entre autoridades dos ministérios públicos de todo o Brasil e do Ministério Público de Buenos Aires, na Argentina, foi firmado nesta quinta-feira (05) com objetivo de combater a violência nos estádios, especialmente o racismo.

No encontro, o procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia, repudiou os atos recentes de violência ocorridos entre integrantes da Bamor, maior torcida organizada do Bahia, durante um encontro na tarde desta quinta-feira (05), no Museu da Misericórdia, em Salvador, para debater o combate à violência nos estádios.

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O evento contou com as presenças do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG), o Grupo Nacional de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios (GNCOVE) e o Ministério Público Fiscal da Cidade Autônoma de Buenos Aires (MPF CABA).

Na oportunidade, Pedro Maia iniciou um discurso ressaltando os atos criminosos em torno do futebol. "Crimes envolvendo multidões colocam em risco a segurança pública. O consumidor vai ao estádio para assistir espetáculos, lamentavelmente o que tem acontecido no Brasil e no vizinho Argentina são cenas de violência", iniciou.

"Na Bahia recentemente tivemos, no último clássico, mesmo com a proibição de torcida visitante, duas brigas fora do local do estádio. Tivemos uma ação do MP com a Polícia Civil que resultou na prisão de 10 integrantes, inclusive da diretoria da maior torcida organizada do principal clube do estado da Bahia, o Esporte Clube Bahia, a torcida Bamor", enfatizou.

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Combate ao racismo nos estádios

O evento também marcou a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para promover o intercâmbio de conhecimentos, experiências e boas práticas na prevenção e no enfrentamento à violência em estádios, com representantes de todos os estados Brasil e de Buenos Aires.

Para Pedro Maia, o marco foi um dia histórico no combate ao racismo no futebol. "Dia histórico, na reunião trouxemos o Ministério Público de Buenos Aires, que representa boa parte dos argentinos, que veio a Salvador compactuar com protocolos ao combate ao racismo no futebol".

Javier Martin Lopez Zavaleta, procurador de Justiça da Cidade Autônoma de Buenos Aires, também enfatizou a importância do acordo para combater a violência nos estádios, especialmente referente ao crime de racismo.

“Vale dizer que a luta contra o racismo é uma luta de todos, e isso que repetimos constantemente queremos levar à prática com fatos reais, por isso assinamos este acordo de cooperação, que é o primeiro acordo de cooperação entre a Cidade Autônoma de Buenos Aires e o Conselho Nacional de Procuradores-Gerais”, iniciou.

“Todas as ações que pudermos realizar a partir da Cidade de Buenos Aires ou a partir do Brasil, quando tivermos ocorrências, serão aprofundadas e bem-vindas. Este é o primeiro ato que realizamos, mas não será o último. Vamos aprofundar a cooperação entre países irmãos como Argentina e Brasil”, completou.

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