Justiça

Briga por som alto em Ondina termina em morte e assassino é condenado a 23 anos de prisão

Divulgação / TJ-BA
Após 12 anos de tramitação, o caso de homicídio motivado por som alto chega ao fim com pena severa para o réu  |   Bnews - Divulgação Divulgação / TJ-BA
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 07/12/2025, às 09h50



O Tribunal do Júri de Salvador condenou, na última quarta-feira (3), Josimar Santana Bispo, conhecido como “Fão”, a 23 anos e 4 meses de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo homicídio de Emerson Conceição Cunha e pela tentativa de homicídio contra o irmão dele, Edson Conceição Cunha, após uma discussão motivada por reclamação de som alto no bairro de Ondina, em Salvador.

O crime ocorreu em 2013, mas o caso só chegou à fase final agora, após mais de 12 anos de tramitação. Josimar disparou diversas vezes contra os irmãos após o desentendimento iniciado quando familiares da vítima pediram para baixar o volume do som. 

O juiz Vilebaldo José de Freitas Pereira, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, afirma que o condenado demonstrou "desprezo pela vida humana" e revelou "personalidade prepotente, voltada para a prática de violência contra a pessoa e sem qualquer freio moral".

Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que Josimar cometeu homicídio duplamente qualificado — por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima — além da tentativa do mesmo crime contra o segundo irmão.

Já a defesa alegou legítima defesa e pediu o reconhecimento de homicídio privilegiado, tese integralmente rejeitada pelo Conselho de Sentença. Segundo a decisão, o Júri acolheu por completo a versão acusatória, reconhecendo que o réu atuou com frieza e intenção clara de matar.

O juiz reforça a conclusão dos jurados ao afirmar que Josimar "não deu sequer o direito de as vítimas implorarem pela vida". O magistrado classificou a conduta do réu como "excessivamente violenta" e praticada com "altíssimo dolo". Na decisão, o magistrado fixou a pena em:

  • 14 anos de prisão pelo homicídio consumado contra Emerson;
  • 9 anos e 4 meses pela tentativa de homicídio contra Edson, após redução de 1/3 pela forma tentada e aumento de 1/6 pela dupla qualificadora.

Somadas, as penas chegam a 23 anos e 4 meses, que deverão ser cumpridos inicialmente no regime fechado. Em trechos da sentença, o magistrado usa linguagem firme para destacar a gravidade do crime.

Para o juiz, a forma como o crime foi cometido — à noite, após perseguição, com vários disparos e por motivo banal — justifica a pena elevada e demonstra risco concreto à sociedade.

Classificação Indicativa: Livre

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