Justiça

Caso Banco Master: Moraes libera para julgamento ação que discute limites da delação premiada

Agência Brasil
Ministro Alexandre de Moraes solicita inclusão de ação sobre delação premiada na pauta do STF, destacando sua importância atual.  |   Bnews - Divulgação Agência Brasil
Henrique Brinco

por Henrique Brinco

henrique.brinco@bnews.com.br

Publicado em 08/04/2026, às 16h13



O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, liberou nesta quarta-feira (8) para julgamento a ação que pede a fixação de limites para acordos de delação premiada. Relator do caso, ele solicitou a inclusão do processo na pauta do plenário físico da Corte.

A análise do tema ocorre em um momento em que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e seu cunhado, o empresário Fabiano Zettel, preparam uma proposta de delação premiada, o que reforça a relevância do debate no cenário atual.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

A ação tramita desde 2021 e foi protocolada pelo Partido dos Trabalhadores (PT). A legenda defende que o Supremo estabeleça parâmetros claros para os acordos de colaboração firmados com investigados, com o objetivo de dar maior segurança jurídica ao instrumento.

Na ação, o PT pede que o STF fixe que:

  • As declarações do colaborador premiado, mesmo quando corroboradas por outras delações recíprocas, não possam ser o único fundamento para decretar prisões, bloqueios de bens ou embasar sentença condenatória;
  • Seja garantido que, em todas as fases do processo, o delatado tenha oportunidade de se manifestar após o prazo concedido ao réu que o delatou;
  • As vantagens negociadas com o delator estejam obrigatoriamente previstas em lei;
  • Seja considerado nulo todo acordo de delação firmado com réu em prisão cautelar manifestamente ilegal, por ausência de voluntariedade.

Entre os pontos levantados, o partido sustenta que delações assinadas por investigados presos devem ser consideradas nulas. A ação também propõe que a chamada delação cruzada, quando um acusado aponta outro, não possa ser utilizada como base para a decretação de medidas cautelares.

Outro aspecto defendido pelo PT é a garantia de liberdade entre as partes para negociar as cláusulas dos acordos, desde que respeitados limites previamente estabelecidos em lei. A sigla argumenta que a ausência de regras mais objetivas pode abrir margem para abusos ou insegurança na aplicação desse tipo de colaboração.

Ainda não há data definida para o julgamento. Caberá ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, decidir quando o caso será levado ao plenário.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)