Justiça

Caso Tainara Santos: Justiça manda a júri homem acusado de atropelar e arrastar ex-namorada por mais de 1 km

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Uma das testemunhas afirmou que o suspeito teria acionado o freio de mão do carro com o objetivo de aumentar o atrito e intensificar os ferimentos  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 26/05/2026, às 05h40



A Justiça de São Paulo decidiu levar a julgamento pelo Tribunal do Júri o homem acusado de atropelar, arrastar e provocar a morte de Tainara Souza Santos, de 31 anos. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (25), após audiência do caso.

Réu por feminicídio
Douglas Alves da Silva, de 26 anos, que conduzia o veículo no momento do crime, responde por feminicídio. Ele foi preso no dia 30 de novembro, menos de 24 horas após o ocorrido, e permanece detido desde então.

A defesa informou que não concorda com a decisão e já apresentou recurso. Ao jornal Folha de S.Paulo, o advogado Marcos Tavares Leal afirmou que não há comprovação de relação entre o acusado e a vítima, elemento que, segundo ele, impactaria na caracterização do crime.

Dinâmica do crime
De acordo com a investigação, Tainara foi atingida ao deixar um bar. Imagens registraram o momento em que ela é arrastada por uma via da zona norte da capital paulista, da rua Manguari até a avenida Morvan Dias de Figueiredo, trecho da Marginal Tietê, mais de 1 km.

Após o atropelamento, o motorista deixou o local sem prestar socorro, mas acabou localizado e preso horas depois.

Testemunhas relataram à polícia que Douglas conhecia a vítima e que os dois teriam tido um envolvimento anterior. Ainda segundo depoimentos, houve uma discussão pouco antes do crime.

Uma das testemunhas afirmou que o suspeito teria acionado o freio de mão do carro com o objetivo de aumentar o atrito e intensificar os ferimentos. Pessoas que estavam no local tentaram impedir a ação, mas o motorista teria acelerado.

Investigação e mudança de tipificação
Inicialmente tratado como tentativa de feminicídio, o caso foi reclassificado como feminicídio consumado após a morte da vítima. A denúncia foi aceita pela Justiça, tornando Douglas réu.

A Polícia Civil sustenta que o crime pode ter sido motivado por ciúmes. Segundo relatos colhidos durante a investigação, o acusado teria se irritado ao ver Tainara acompanhada de outro homem.

Versão do acusado é contestada
Em depoimento, Douglas afirmou que a confusão começou após um desentendimento envolvendo um amigo dele e o homem que estava com a vítima. Ele disse que tentou intervir e acabou atingido por uma garrafa.

Ainda segundo o relato, já dentro do carro, ele teria visto Tainara caminhando e decidiu “dar um susto”. O acusado alegou que a vítima teria se lançado contra o veículo.

Ele também afirmou que percorreu mais de um quilômetro sem perceber que a mulher estava presa ao carro, alegando que o som alto e os vidros fechados teriam impedido que notasse a situação.

A versão foi rebatida pela defesa de outro envolvido, que classificou o depoimento como fantasioso e com objetivo de afastar responsabilidade.

Defesa nega motivação por ciúmes
Os advogados de Douglas sustentam que a hipótese de crime motivado por ciúmes é infundada. Em nota, a defesa afirma que não houve relacionamento entre ele e a vítima.

Também contestam a forma como a prisão foi descrita inicialmente. Segundo os advogados, o acusado não resistiu e estava desarmado, em um quarto de hotel, aguardando orientação jurídica no momento em que foi detido.

Como denunciar violência
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 190, em situações de emergência.

No Brasil, a Lei Maria da Penha prevê mecanismos de proteção para vítimas de violência doméstica e familiar, incluindo agressões cometidas por parceiros, ex-companheiros ou até mesmo familiares.

Classificação Indicativa: Livre

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