Justiça

Cinco policiais militares são denunciados na Bahia por atrair homem com perfil falso e matá-lo com 11 tiros

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Os PMs foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio qualificado, cárcere privado e fraude processual  |   Bnews - Divulgação Ilustrativa | PMBA
Cibele Gentil

por Cibele Gentil

Publicado em 12/10/2026, às 12h42



Cinco policiais militares foram denunciados, nesta quinta-feira (8), pela morte de Uanderson Novaes Ventura, ocorrida em 2019, em Brumado, cidade baiana a aproximadamente 550 quilômetros da capital. De acordo com o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), os policiais teriam atraído o jovem para uma emboscada, atirado contra ele e alterado a cena do crime para simular um confronto armado.

Os cinco agentes são acusados de homicídio qualificado, cárcere privado e fraude processual. Eles foram identificados pelo órgão como Milton Ferraz de Andrade Júnior, Wendel Leão Ribeiro, Wandenberg Santos Marques, Cristiano dos Santos Moreira e Elton Silva Queiroz.

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O MPBA apresentou duas denúncias, uma à Vara do Tribunal do Júri e outra à Justiça Militar. As acusações em relação ao homicídio foram encaminhadas à Vara do Tribunal do Júri de Brumado. Já à Vara de Auditoria Militar da Bahia, a denúncia se referiu quanto aos crimes de cárcere privado e fraude processual.

Falso encontro amoroso

De acordo com as investigações, os policiais teriam planejado uma emboscada para atrair Uanderson ao Centro de Atenção Integral à Criança (CAIC), utilizando um perfil falso nas redes sociais. Os suspeitos teriam forjado uma usuária com o nome de “Viviane Santos”, para marcar um suposto encontro amoroso.

Conforme a denúncia, a vítima chegou desarmada ao local do falso encontro, em 12 de abril de 2019. Após receber uma ordem de rendição e erguer as mãos sobre a cabeça, Uanderson foi atingido por disparos efetuados por dois dos denunciados. O laudo de necropsia apontou que ele foi atingido por 11 projéteis de arma de fogo.

Ainda conforme a acusação, dois jovens que estavam nas proximidades foram obrigados a permanecer na guarita da escola durante a ação, sob vigilância armada, e só puderam sair após os disparos e a retirada do corpo. Eles também teriam sido ameaçados para não relatar o que presenciaram.

Alteração da cena do crime

O Ministério Público também sustenta que, após o homicídio, os policiais teriam alterado artificialmente a cena do crime para simular uma situação de confronto armado. A intenção seria apresentar a morte como resultado de intervenção policial. De acordo com a denúncia, os elementos reunidos na investigação sustentam a hipótese de emboscada e de tentativa de encobrir as circunstâncias da morte.

Junto ao Tribunal do Júri, o órgão requereu que os cinco sejam julgados pelo júri popular por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Além disso, foi solicitada a perda dos cargos ou funções públicas dos denunciados e a fixação de valor mínimo para reparação dos danos materiais e morais aos sucessores de Uanderson.

Na denúncia encaminhada à Justiça Militar, o MPBA requereu a condenação dos policiais pelos crimes de cárcere privado e fraude processual, além de também pedir a perda dos cargos públicos e a fixação de valor mínimo para reparação dos danos causados. O órgão também solicitou o encaminhamento dos documentos à Corregedoria da Polícia Militar da Bahia para adoção das providências administrativas e disciplinares cabíveis.

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