Justiça

Conselheiro do CNJ é alvo de ataques racistas em live e afirma que buscará responsabilização criminal

Foto: CNJ
O TJPR já iniciou investigações para identificar os autores dos ataques racistas para não deixar impunes os autores das ofensas  |   Bnews - Divulgação Foto: CNJ
Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 21/03/2026, às 16h30



Não importa o cargo, o currículo ou a relevância das palavras. Para o racismo, a barreira institucional é invisível. Foi o que ficou provado da pior forma na última quinta-feira (19), durante uma live da Escola Judicial do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR). O conselheiro do CNJ, Fábio Esteves, foi alvo de ataques racistas enquanto falava no evento. O chat, que deveria servir para o debate de ideias, virou um local de ofensas.

As mensagens, captadas em prints que circulam agora como prova, utilizam termos degradantes e comparações desumanizadoras. Em conversa ao BNews, o magistrado Fábio Esteves desabafou sobre o impacto do episódio. Para ele, o cargo de conselheiro ou a trajetória consolidada na magistratura não funcionam como escudo contra o preconceito estrutural.

"O racismo é uma questão muito tecnológica e estruturada. Isso não nos torna menos vítimas ou menos alvos. Não existe espaço amplamente protegido enquanto o racismo não acabar", afirmou Esteves.

"Ataque à existência"
Diferente de outras situações vividas ao longo de sua carreira, onde o racismo se manifestava de forma "velada" em portas que não se abriam ou olhares de desconfiança, desta vez a agressão foi direta e pública. O conselheiro ressaltou que, no momento da fala, que durou apenas três minutos, não conseguiu acompanhar as mensagens, tomando conhecimento da gravidade logo após o encerramento.

"É sempre impactante, porque as pessoas não estão falando da sua competência, mas sobre a sua existência e seu modo de pertencimento. Diz respeito a um povo inteiro", pontuou o magistrado.

Providências jurídicas e apoio institucional
Fábio Esteves afirmou que levará o caso adiante nas esferas criminais e cíveis assim que os autores forem identificados pelo TJPR. "É uma questão de necessidade para gerar um efeito pedagógico. Não podemos deixar passar a mensagem de que isso não causa um dano profundo."

O caso gerou uma onda de solidariedade. O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e CNJ, já manifestou apoio e cobrou rigor nas apurações. A Associação dos Magistrados do Paraná (AMAPAR) também emitiu nota de repúdio, classificando o episódio como uma "afronta à própria Justiça".

Vigilância Constante
Ao ser questionado sobre qual mensagem deixaria para a sociedade, o conselheiro, que hoje ocupa um dos cargos mais altos da estrutura jurídica do país, reforçou o papel da vigilância. "A sociedade deve estar em constante aprendizado e ser rigorosa no combate ao racismo. Só o rigor gera o efeito pedagógico necessário para que não se permita qualquer violação à dignidade humana."

O TJPR informou que as investigações já foram iniciadas para identificar os perfis responsáveis pelos ataques durante a live do programa "Paraná Lilás".

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