Justiça

Defesa de Brennand e suposto apoio a golpe viram munição em eleição da OAB-SP; entenda

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Seis chapas disputam a presidência da OAB-SP  |   Bnews - Divulgação Divulgação | OAB-SP
Davi Lemos

por Davi Lemos

davi.lemos@bnews.com.br

Publicado em 09/11/2024, às 10h14 - Atualizado às 10h26



A disputa pela presidência da seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) tem sido marcada por ataques entre os concorrentes e corrida pelo apoio de políticos e influenciadores bolsonaristas. A atual presidente, a criminalista Patrícia Vanzolini, não tentará a reeleição, mas o fato de ela ter defendido o empresário Thiago Brennand tem sido usada como arma contra Leonardo Sica, candidato da situação.

Ao todo, seis chapas disputam a presidência da OAB-SP para o triênio 2025-27. Duas são lideradas por advogados conservadores. O ex-presidente da OAB-SP, Luiz Flávio D'Urso, que tenta uma vaga de conselheiro da Ordem em uma chapa adversária à de Leonardo Sica, enviou a seus contatos no WhatsApp uma crítica à colega Patrícia Vanzolini por ter aceitado, em janeiro deste ano, integrar a defesa de Brennand, condenado e preso por estupro. D'Urso entendeu que a causa não é "eticamente adequada" para advogados que dirigem a Ordem.

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"Patrícia é minha amiga, deu aula para os meus filhos e foi até no casamento da minha filha no mês passado. Mas, politicamente, acho que errou, já que foi eleita com a bandeira de defesa da mulher e depois veio a defender esse acusado de inúmeros estupros e agressões, que se tornou quase um símbolo de violência contra a mulher. Não me parece que seja adequado para um advogado abraçar essa causa, levando a condição de presidente da Ordem", disse D´Urso, segundo o Portal UOL. Ele afirma, entretanto, que os ataques a Patrícia não são pessoais.

O grupo de D'Urso também atacou a atual gestão da OAB-SP em caso que envolve o candidato à presidência pela chapa, Caio Augusto Santos, e a vice, Ângela Gandra Martins. O pai de Ângela, o jurista Ives Gandra Martins será julgado pela Ordem por suposta incitação a golpe nas Forças Armadas. Devido à pressão, a OAB-SP adiou o julgamento, que ainda não tem nova data marcada.

O jurista é alvo de uma representação disciplinar por ter defendido a possibilidade de intervenção militar ao ser consultado por um major do Exército, em 2017. No ano passado, a OAB-SP avaliou que Gandra não cometeu infração, mas a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), autores da queixa, recorreram da decisão.

Ângela Gandra, que foi secretária da Família no governo de Jair Bolsonaro (PL), tem o suporte de nomes como a médica Nise Yamaguchi, o pastor Estevam Hernandes, o ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez, o presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares, e o deputado Marcos Pereira, presidente do Republicanos e vice-presidente da Câmara.

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