Justiça
por Claudia Cardozo
Publicado em 26/03/2026, às 13h40 - Atualizado às 13h50
Em entrevista ao Jusnews Podcast, a juíza Andremara dos Santos contou como o racismo estrutural tentou marcar sua chegada à magistratura e como sua atuação a levou aos principais palcos do Direito. Filha de um tratorista e de uma professora bacharela em Letras, com pós-graduação em ensino superior, Andremara revelou que, logo no início da carreira, sua aparência e identidade foram alvos de preconceito nos bastidores do tribunal.
Chegou uma colega preocupada dizendo que meu nome estava sendo falado, que eu era uma 'neguinha de nariz em pé'. Perguntei se não tinham falado das minhas tranças, porque eu assumi a magistratura de tranças. Fui chamada também de 'juizinha rastafari'".
A resistência da magistrada, porém, converteu-se em ocupação de espaços inéditos. Primeira mulher negra, e talvez a única até então, a ocupar a Secretaria-Geral do Supremo Tribunal Federal (STF), a convite da ministra Cármen Lúcia, Andremara também atuou no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde mapeou a realidade de mulheres e crianças invisíveis no sistema prisional. "Vi crianças sem registro de nascimento e sem vacina dentro das prisões. Elas nasceram no cárcere, mas não estão privadas de liberdade", relembrou.
Hoje, a voz que o racismo tentou diminuir ecoa na Organização das Nações Unidas (ONU). A magistrada detalhou sua participação em discussões sobre o tráfico de pessoas e a proposta de considerar o tráfico de mulheres como crime contra a humanidade. Ela também comentou sobre o recente caso de racismo contra o conselheiro Fábio Esteves, do CNJ.
A dor psíquica que o racismo causa é uma ferida que busca a dominação. Ocupar esses espaços com um corpo que fala antes da nossa voz é um ato político", pontuou a juíza, que segue como referência no enfrentamento à violência de gênero e na democratização do Judiciário.
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