Justiça

Eduardo Carichio critica critério de antiguidade na promoção ao TJ-BA: "A estrada é longa demais"

Claudia Cardozo / BNEWS
Ele defendeu que a experiência adquirida ao longo dos anos não pode ser desperdiçada.  |   Bnews - Divulgação Claudia Cardozo / BNEWS


Novo desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Eduardo Carichio questionou, em entrevista ao BNEWS, critério de promoção por antiguidade na Corte, que, segundo ele, restringe o acesso de magistrados ao cargo. Aos 72 anos, Carichio terá apenas três anos no tribunal antes da aposentadoria.

"Eu acho a estrada um pouco demorada, não só para mim, mas para tantos outros colegas que estão na fila. No meu caso, estou chegando aqui com 72 anos, entrei na magistratura com 32, foram 40 anos de trabalho, sendo 14 deles no interior. Espero ter feito um bom trabalho nas comarcas por onde passei, mas acho que esse sistema precisa ser revisto", afirmou.

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O magistrado destacou que há movimentações para mudanças no tempo de permanência no cargo e defendeu que a experiência adquirida ao longo dos anos não pode ser desperdiçada. "Tem uma turma querendo diminuir o tempo e outra querendo elevar. Isso precisa ser discutido com base em parâmetros internacionais. No momento em que um julgador acumula conhecimento e experiência, ele está sendo retirado do sistema, o que pode causar um prejuízo social muito grande", pontuou.

Carichio também defendeu a necessidade de modernização do sistema de promoções. "A sociedade mudou, temos novos critérios, vivemos a era da comunicação instantânea. Precisamos atualizar a estrutura do Judiciário para acompanhar essa transformação", argumentou.

Defesa da liberdade de imprensa
Durante a entrevista, Eduardo Carichio também falou sobre sua relação com a imprensa e a importância da liberdade de expressão. Filho de um jornalista do jornal O Globo, ele defendeu que a liberdade de imprensa deve ser garantida, mas com responsabilidade.

"A liberdade não se consegue sem responsabilidade. É preciso que as pessoas não façam uso abusivo dela. Caso isso aconteça, os poderes judiciais devem ser chamados para corrigir o erro. As ondas de divulgação não podem ser usadas para prejudicar terceiros", disse.

Ao final, o novo desembargador agradeceu à família e relembrou os desafios que enfrentou ao longo da carreira. "A vitória não é só minha, mas de toda a minha família. Agradeço a Deus, ao Senhor do Bonfim e a todos que me apoiaram, especialmente minha filha Milena, que esteve ao meu lado nos momentos difíceis", concluiu.

Classificação Indicativa: Livre

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