Justiça
por com informações de Yuri Pastori
Publicado em 05/02/2026, às 13h00 - Atualizado às 13h08
A desembargadora Cynthia Maria Pina Resende se despediu da presidência do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) nesta quarta-feira (5) com um discurso marcado por metáforas, balanço de gestão e a defesa de um Judiciário fortalecido após um período de reconstrução institucional. A fala ocorreu durante a solenidade que oficializou a posse de José Rotondano como novo presidente da Corte.
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Logo na abertura, Cynthia descreveu o momento como um ponto de chegada sereno após uma travessia difícil à frente do tribunal mais antigo das Américas. Em tom poético, comparou sua gestão à jornada de um navegador que retorna ao cais após enfrentar uma das viagens mais desafiadoras da vida.
“Sinto-me especial neste momento solene, de uma leveza que me traz uma reflexão mais ampla sobre a minha jornada à frente da corte mais antiga das Américas”, afirmou. “Projeto a sensação deste momento com os olhos de um navegador que, orgulhoso, vislumbra do cais a sua embarcação em um oceano calmo, após aportar de uma das mais desafiadoras viagens da sua vida.”
A ex-presidente disse deixar o cargo com serenidade e com a convicção de que o TJ-BA seguirá em boas mãos. Sem citar diretamente disputas internas, destacou a confiança na liderança de José Rotondano, a quem definiu como um magistrado vocacionado para conduzir a próxima etapa do Tribunal.
“Tenho a tranquilidade de saber que a nova jornada será capitaneada por um líder vocacionado, que navegará adiante levando o legado e as experiências dos seus antecessores, elevando ainda mais a nossa Corte e a nossa Justiça”, declarou.
Inspirada na poética de Fernando Pessoa, Cynthia Resende usou a conhecida metáfora do navegar para resumir sua passagem pela presidência. “Navegar é preciso e necessário. Viver é impreciso e essencial. Agradecer é atributo de quem reconhece que um caminho vitorioso se percorre com o apoio de muitos”, disse, sob aplausos.
No balanço administrativo, a magistrada lembrou que assumiu a presidência em um momento de fragilização da credibilidade institucional e afirmou que a gestão teve como norte a reconstrução da pujança e da excelência do TJ-BA. Segundo ela, o trabalho deu continuidade à gestão do desembargador Nilson Soares Castelo Branco e foi estruturado a partir de diretrizes formais publicadas no Diário do Poder Judiciário.
Essas diretrizes, explicou, foram organizadas em cinco eixos principais: fortalecimento institucional e acesso à Justiça; gestão de pessoas e do trabalho; agilidade e inovação; governança e gestão; e sustentabilidade e desempenho.
De acordo com Cynthia, a adoção firme dessas coordenadas resultou em avanços expressivos. Entre os números citados, destacou a reversão de mais de R$ 5 bilhões em pagamentos de precatórios, o primeiro lugar em produtividade entre os tribunais de grande porte e a conquista do Selo Diamante em Transparência.
“Avançamos em produtividade, transparência, efetividade e credibilidade. Fortalecemos nossa estrutura de pessoal, valorizamos servidores e magistrados e promovemos uma reestruturação necessária”, afirmou.
O discurso de despedida consolidou o tom da transição no comando do Judiciário baiano: de reconhecimento ao trabalho realizado e de confiança na continuidade da gestão sob a presidência de José Rotondano, agora responsável por conduzir o TJ-BA no biênio 2026/2028.
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