Justiça

“Estava completamente errado”, diz Tarcísio ao defender a ampliação de câmeras em PMs

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Tarcísio de Freitas admitiu, pela primeira vez, que há uma crise na Polícia Militar  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Mônica Andrade/Governo do Estado de SP


O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse nesta quinta-feira (05) que estava “completamente errado” sobre o uso de câmeras corporais por parte de policiais militares. A declaração foi dada a jornalistas em evento de vistoria das obras do metrô da estação Santa Clara, na zona leste de São Paulo, e ocorre após uma série de críticas à corporação, em razão de episódios de violência envolvendo agentes dentro e fora de serviço.

“Eu era uma pessoa que estava completamente errada nessa questão. Eu tinha uma visão equivocada, fruto da experiência pretérita que eu tive. Hoje estou plenamente convencido de que é um instrumento de proteção da sociedade e do policial. Vamos não só manter o programa, como também ampliá-lo”, afirmou o chefe do Executivo estadual.

Durante a campanha eleitoral de 2022, o governador chegou a dizer que “acabaria” com o equipamento acoplado às fardas dos policiais, de acordo com informações do portal Metrópoles.

Tarcísio contratou, este ano,  um novo modelo de câmera corporal, que permite ao agente ligar e desligar o equipamento, diferentemente das usadas atualmente pelos policiais, que gravam de forma ininterrupta. A partir do ano que vem, serão implementadas 12 mil unidades desse dispositivo.

O governador ressaltou que não deve substituir as câmeras corporais usadas atualmente pela PM. A ideia, segundo Tarcísio, é que as câmeras antigas continuem a ser utilizadas.

“Não é nossa ideia, de maneira nenhuma, fazer com que a gente afrouxe a política. A gente começa um período de testes. Enquanto a gente não estiver seguro em relação à tecnologia, a gente não descontinua as câmeras que estão funcionando”, pontuou.

“A ideia é fazer com que o policial acione a câmera quando entrar em operação. Além disso, você tem os mecanismos de acionamento remoto, por exemplo, via Copom [Centro de Operações da Polícia de São Paulo]. Houve uma ocorrência e o próprio Copom vai poder fazer o acionamento. Você vai ter o acionamento por Bluetooth, em que você pega profissionais na mesma área de ocorrência e faz o acionamento automático.”

Tarcísio de Freitas admitiu, pela primeira vez, que há uma crise na Polícia Militar. Ele afirmou que é preciso ter “humildade” e reconhecer que “alguma coisa não está funcionando”. Segundo o governador, há “falta de treinamento”.

“Quando a gente começa a ver reiterados descumprimentos desses procedimentos, a gente vê que há de fato transgressão disciplinar, falta de treinamento. São coisas que chocam todo mundo, chocam a gente também. A gente fica extremamente chateado, triste”, declarou Tarcísio.

“Quando tem esses casos, isso mancha demais a instituição, agride a gente. Aí é hora de ter humildade: tem alguma coisa que não está funcionando”, acrescentou o governador.

Tarcísio descartou a possibilidade de fazer mudanças no comando da Polícia Militar e defendeu o comandante Cássio Araújo de Freitas. Ele ainda disse que, “no momento de crise, não é hora de fazer trocas”.

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