Justiça
O Carnaval de Salvador 2026 marca uma década de maior visibilidade de uma das operações mais complexas do sistema de justiça baiano: o Plantão da Defensoria Pública da Bahia (DPE-BA). No total, já são 19 anos do Plantão da Defensoria no Carnaval, mas com maior protagonismo nos últimos 10 anos.
Em entrevista exclusiva ao BNews, a defensora pública geral da Bahia, Camila Canário, fez um balanço das ações e celebrou a integração inédita com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), sob a presidência do desembargador José Rotondano.
"É o nosso décimo ano de plantão. A cada edição buscamos aprimorar o serviço e este ano disponibilizamos 83 servidores e 84 defensores para garantir direitos em todas as áreas, desde o público LGBTQIA+ até pessoas com deficiência e idosos", destacou Camila.
A grande novidade deste ano foi a instalação da tenda do Judiciário no Posto da Ondina, o que colocou juízes, defensores e promotores trabalhando lado a lado. Para Camila, a proatividade do desembargador José Rotondano foi o diferencial.
"A iniciativa partiu do Poder Judiciário e as instituições se mobilizaram para estarem lá. Essa proximidade deu uma celeridade que superou as expectativas. Faço uma saudação ao presidente José Rotondano, que teve uma visão pioneira. O juiz não precisa ser apenas reativo; essa face proativa traz benefícios diretos para a população", afirmou a defensora.
Com uma campanha focada no combate à violência contra a mulher, a Defensoria tem atuado na linha de frente das medidas de urgência. Sobre o dado de que mais de 300 medidas protetivas já foram deferidas neste Carnaval, Camila Canário foi enfática:
Os números são alarmantes. Por isso, adotamos uma medida inovadora: nosso setor de atendimento psicossocial está no circuito. A mulher não sai apenas com um papel, ela recebe acolhimento, escuta ativa e orientação sobre o escalonamento da violência, que muitas vezes começa antes da agressão física."
Questionada sobre como tornar a medida protetiva eficaz e evitar o desânimo das vítimas, Camila Canário deu um conselho prático sobre a produção de provas no ambiente doméstico ou em meio à multidão.
Orientamos que a mulher utilize o celular para fazer prova das violências, mesmo que não seja agressão física. Grave cenas, xingamentos e injúrias de maneira discreta. Isso é fundamental para dar continuidade à investigação, especialmente em casos que ocorrem dentro de casa, sem testemunhas", explicou.
A entrevista também tocou na proteção das crianças nos circuitos. A chefe da Defensoria ressaltou a importância do diálogo com o Ministério Público e o Conselho Tutelar, especialmente após casos recentes de abandono e violência vicária, quando o agressor usa os filhos para atingir a mãe, como no caso acontecido em Itumbiara, em Goiás.
A criança é prioridade absoluta. O ciclo de violência atinge todos ao redor e as crianças não podem ser invisibilizadas. O Conselho Tutelar precisa ser mais fortalecido e acionado com frequência, garantindo que os pequenos não fiquem vulneráveis em situações de conflito entre genitores", defendeu.
Com 13 pontos estratégicos e um alcance de mais de 14 mil pessoas, a Defensoria encerra o ciclo de 10 anos com o olhar no futuro. "A experiência que levamos para 2027 é a de que a interlocução entre os entes governamentais produz resultados imediatos. Queremos um Carnaval cada vez mais seguro, com respeito à diversidade e garantia de direitos", concluiu Camila Canário.
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