Justiça
por Claudia Cardozo
Publicado em 18/11/2025, às 12h02 - Atualizado às 12h02
A queda do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero, escancarou uma gestão de riscos extremos, que não se limitava aos escritórios da Faria Lima, mas se projetava diretamente para a Bahia.
Enquanto o centro da investigação mira o escândalo de títulos "podres" e o negócio nebuloso com o Banco de Brasília (BRB), é no litoral sul baiano que se encontra um indício mais importante da vaidade e ambição desmedida que definiram a trajetória do banqueiro: o interesse pela massa falida do Warapuru Resort, em Itacaré.
O Warapuru Resort era um projeto ambicioso que prometia ser o primeiro empreendimento seis estrelas do país, mas acabou abandonado por anos. O empreendimento estava na mira de Daniel Vorcaro e seus sócios. A intenção de adquirir a massa falida, ignorando a complexidade e a falta de viabilidade de um ativo paralisado, se tornando uma iniciativa do Banco Master por ativos de imagem, que pudessem ser inflacionados no balanço e vender a ilusão de um patrimônio robusto.
A estratégia era usar o glamour de empreendimentos hoteleiros e terras valorizadas no sul da Bahia para camuflar operações de alto risco e carências de lastro real. O banco operava como um ímã de capital, prometendo rentabilidades superiores às do mercado (CDBs acima da média) para sustentar a máquina de aquisição de precatórios e empresas em dificuldade, em um modelo que a PF aponta como gestão fraudulenta.
O Sócio Baiano
A força da atuação do Master na Bahia era sustentada por Augusto Lima, empresário baiano e ex-sócio de Vorcaro, também preso na Operação Compliance Zero. Lima era uma figura chave na expansão do Master e no seu trânsito político, tanto em Salvador quanto em Brasília.
Os investimentos dos sócios chegaram na Bahia através do CredCresta, quando a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) foi privatizada. Ele criou o CredCresta, um cartão consignado para servidores que foi, posteriormente, incorporado ao Master, tornando-se um dos braços mais importantes do banco.
Por ter origem no varejo, Augusto Lima ascendeu rapidamente e era conhecido por seu forte trânsito político na Bahia. Sua influência se estendia a Brasília, onde foi casado com uma ex-ministra do governo Bolsonaro. Era ele quem bancava jantares de políticos da Bahia em tempos de campanha política.
Com sua prisão nesta terça-feira (18), ficou evidente que Augusto Lima, ao lado de Daniel Vorcaro, usava da influência de políticos para tentar fazer negócios na Bahia, inclusive na negociação dos títulos de crédito que agora são alvo da PF.
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