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Na Sombra do Poder: O Doutor do Espigão

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Os bastidores da política baiana  |   Bnews - Divulgação Imagem criada por IA

Publicado em 07/05/2026, às 06h00 - Atualizado às 06h16   Editoria de Política



O Doutor do Espigão
Um dos prédios mais caros e luxuosos de Salvador vira e mexe está envolvido em polêmicas, seja problema com uma criança, briga entre vizinhos, mas há um segmento que está ganhando as páginas de fofoca do empreendimento: o jurídico. Jornalistas da redação estão recebendo uma enxurrada de denúncias anônimas relatando peripécias do “Doutor do Espigão”. São informações quentes e que dão frio na coluna. O volume de dinheiro envolvido é absurdo para os pobres mortais.

Tico e Teco na PMS
O órgão de trânsito municipal virou o maior problema de Bruno Reis. Denúncias no TCM, licitações suspensas pela Justiça e o Ministério Público de olho nos movimentos. O clima dentro da autarquia está insustentável: funcionários não querem ter o nome envolvido e correm o risco de responder a processo. A NSP flagrou dois servidores numa mesa de restaurante quase chegando às vias de fato. Um deles se recusa a “retaliar” um prestador de serviço. A discussão só não virou pancadaria porque as duas moças do job que acompanhavam os figurões intervieram. Na saída do estacionamento, um deles ainda gritou para o outro: “Eu não vou ser processado por causa de ninguém!” A Sombra está de olho. Se o prefeito Bruno Reis não consegue controlar os escândalos dentro da autarquia, mesmo após tamanha repercussão em toda a imprensa local, a ponto de precisar de “moças do job” para apartar briga, é sinal de que a gestão vai de mal a pior e pode escalar em nível nacional.

Salvador: Baía dos Porcos?
Um turista chegou no último fim de semana, olhou as ruas de Salvador transformadas em lama pela chuva e soltou a frase que ninguém queria escutar: “Bem-vindos à Baía dos Porcos”. Não é a Baía de Todos-os-Santos. É pior. São os porcos — literais ou não — chapinhando na lama das vias que viraram chiqueiro a céu aberto. O paraíso virou pocilga urbana. O prefeito Bruno Reis ainda não respondeu. Deve estar ocupado demais escrevendo “estamos trabalhando”. A pergunta que fica suspensa, fedendo a barro e ironia: Bruno Reis, Salvador ainda é a Baía de Todos os Santos… ou já virou oficialmente a Baía dos Porcos?

Desarticulação
Vem causando estranheza o baixo quórum nas sessões da Alba em dia de votação de projetos do governo Jerônimo Rodrigues. Nesta semana, os deputados deixaram de votar o empréstimo de R$ 5,5 bilhões para a Embasa porque não havia o número mínimo para a apreciação da pauta. No mês passado, a Casa precisou de duas sessões para votar o reajuste dos professores. O que chama a atenção é que a base sozinha já garantiria o quórum mínimo de 31 deputados exigido para a votação, o que expõe um problema de articulação por parte do governo. Com a palavra, Adolpho Loyola.

Fogo inimigo
Os ataques que o senador Jaques Wagner recebeu depois da rejeição de Jorge Messias ao STF não podem ser considerados fogo amigo. Os ditos aliados declararam guerra ao líder do governo no Senado pela Bahia e colocaram na conta dele a derrota mais dolorosa do governo Lula neste terceiro mandato. Foi necessária a intervenção do próprio Lula para pôr fim às investidas. É bom o galego ficar atento, porque, pelo visto, tem gente de olho em seu lugar.

Líder cego?
E Wagner tem dito a aliados e também publicamente que a rejeição de Jorge Messias à vaga do STF se deu por uma campanha sorrateira que ele não percebeu ter sido feita. A argumentação de Wagner é uma defesa da atuação dele ou um pedido para partir em retirada? O senador, visto sempre como exemplo de sagacidade nas negociações e bastidores políticos, foi feito de bobo dessa vez?

O Vereador Naturista
Virou motivo de piada a campanha de defesa de Téo Senna na entrevista à Baiana FM desta semana. Depois de classificar como "naturais" as críticas contra a prefeitura pelos mais diversos motivos, os próprios ouvintes trataram de apelidá-lo de "Vereador Naturista". Os colegas da base já não vão muito com a cara do edil e agora já encontraram mais um apelido para revoltá-lo.

Pautas (ir)relevantes
A tarde de votação de projetos na Câmara Municipal de Salvador (CMS), na quarta-feira (5), virou quase um circo com um episódio um tanto quanto inusitado. Espera-se que a Casa Legislativa trate de debates sobre leis que possam trazer melhorias para a população de Salvador. No entanto, a CMS aprovou uma moção de reconhecimento pelo Descobrimento do Brasil… As discussões na Casa do Povo precisam ser melhoradas com urgência.

Puxa-saco
Quando se pensa que a Câmara de Salvador não pode mais surpreender, o Legislativo municipal inventa algo. E esse “algo” é a homenagem que o senador Flávio Bolsonaro receberá na Câmara de Salvador e que foi aprovada nesta quarta. Para o vereador Cezar Leite, o apoio dos colegas governistas é um claro aceno a um palanque para o filho do ex-presidente, o que não é novidade. Todos sabem que a base de Bruno Reis na CMS, assim como ele e seu líder político, ACM Neto, são bolsonaristas. A diferença entre eles é que uns são declarados e outros só fazem se for no sigilo.

Literatura refinada
Que o deputado federal Léo Prates gosta de divulgar os feitos, isso todos já sabem. O que desponta no horizonte para ele, caso não vença a disputa na base para a sucessão de Bruno Reis, pode envolver uma outra missão: a literatura. Isso porque o deputado já soma dois livros lançados em menos de um ano. Que história Léo Prates quer contar?

PL em racha... enésima parte (1)
O PL raiz, como se autointitulam os defensores mais ferrenhos do bolsonarismo, arranjou mais um alvo e, desta vez, está no Oeste baiano. Não estão gostando da ideia de Cinthya Marabá liderar, com o apoio do prefeito Júnior Marabá, a campanha de Flávio Bolsonaro na região. O cálculo não é só ideológico, mas eleitoral: os bolsonaristas querem aumentar a bancada na Alba, mas veem que a recondução dos atuais ou a eleição de novos podem ser barradas por candidaturas como a da primeira-dama de Luís Eduardo.

PL em racha... enésima parte (2)
Imaginemos um cenário hipotético em que o ex-presidente Jair Bolsonaro não fosse o autor do bolsonarismo, mas alguém interessado em se aliar. O então deputado do PP foi aliado ao grupo mais fisiológico do "baixo clero" do Congresso Nacional, o Centrão. A pureza exigida para os novos aliados certamente barraria o capitão reformado nas fileiras do PL.

Tamanho GG
A vaga na cadeira 31 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), reservada à cota dos Tribunais de Justiça estaduais, está aberta desde 20 de abril de 2026, em razão da aposentadoria compulsória do ministro Antônio Saldanha Palheiro. O procedimento segue o rito constitucional: o Plenário do STJ formará lista tríplice com nomes de desembargadores dos Tribunais de Justiça estaduais (incluídos os que ingressaram via quinto constitucional). O Presidente da República escolherá um dos três, que será submetido a sabatina no Senado e, se aprovado, ao Plenário do STJ. Embora o Rio de Janeiro articule para manter a vaga e estados como São Paulo também demonstrem interesse, fontes nos corredores de Brasília apontam a Bahia como destino mais provável. A disputa entre os desembargadores baianos já é intensa e envolve articulações de alto nível: cada um dos três senadores atuais da Bahia — Angelo Coronel, Jaques Wagner e Otto Alencar — tem seu candidato de preferência, assim como Rui Costa. Os nomes ainda circulam em sigilo, mas a briga promete ser das mais acirradas. Resta, agora, medir o tamanho da toga: XS, L, G ou GG.

Classificação Indicativa: Livre

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