Justiça
por Cláudia Cardozo, Rafael Albuquerque e Lorena Abreu
Publicado em 16/04/2025, às 20h53
A audiência de instrução do caso dos rifeiros e influencers presos durante a Operação Falsas Promessas contra um esquema de lavagem de dinheiro com rifas ilegais na Bahia, aconteceu nesta quarta-feira (16), na Vara de Organização Criminosa, e presidida pelo juiz Waldir Viana. Ao todo, 27 pessoas foram interrogadas, entre réus e testemunhas indicadas pelas defesas.
Constam nos autos do processo que Vitor da Silva Moreira Paulo liderava a organização criminosa e teria movimentado R$ 23.485.183,32 sem origem lícita. Victor criou empresas fictícias e já havia sido preso por tráfico de drogas em 2014, portando 29 tabletes de maconha, 4 de cocaína.
Durante o interrogatório por meio virtual, Victor, que está preso em Goiás, revelou que já jogou muito em rifas e apostas, mas negou os crimes e relatou que está sendo investigado por causa de seu passado. Consta no processo que Victor relacionava-se financeiramente com diversos outros denunciados.
Ainda segundo os autos, Vitor criou as empresas fictícias Sheep Store, Angelos Pizza e Vlife.
Segundo Vitor, ele vive da compra e venda joias, em leilões da Caixa Econômica Federal (CEF), pois tem credenciamento para participar dos leilões
Já Daiane Conceição da Silva Pinho, que é companheira de Victor, e movimentou , segundo os autos, a quantia de R$ 2.721.198,34. A ré adquiriu imóveis no Ceará e, atualmente, está em prisão domiciliar com monitoramento.
Em depoimento, ela disse que não conhece os demais investigados e que acredita que a investigação surgiu por causa de alguma jóia que o marido vendeu. Daiane negou as movimentações financeiras na sua conta e disse que é administradora na empresa de jóias do marido. Daiane afirmou ainda que o marido estava viciado em comprar rifa e que já foi contemplado mais de uma vez com prêmios. Ela admitiu também que transacionou várias quantias acusadas como irregulares pelos órgãos de controle do sistema financeira brasileiro com os nacionais.
Igor Carneiro Correia, também alvo na operação, é considerado co-líder da organização criminosa e teria movimentado R$ 46.462.449,70 sem comprovação de renda lícita. Criou empresas de fachada com Victor e já foi preso por porte de drogas. A investigação mostra que o réu relacionava-se financeiramente com diversos outros denunciados. Igor manteve-se em silêncio.
Outra ré, Elaine Marcia Nascimento Santos movimentou, segundo os autos do processo, R$ 21.314.146,33 sem comprovação de renda e relacionou-se financeiramente com 13 denunciados. Ela criou empresas de fachada e simulou compra de imóvel para ocultar patrimônio como a Açaí do Quim e outra em nome do seu filho.
Elaine chorou bastante no restaurante na hora do almoço e pediu pra sair da sala de audiência logo depois de ser interrogada
Ela afirmou ao juiz que o compadre do filho passou a usar a conta dela após a pandemia, pois estava separado da esposa e que só ele fazia transações, além de afirmar que via as movimentações feitas por esse homem em sua conta, mas não imaginava que era ilícito.
Marcos David Nascimento, também ouvido na audiência de instrução, é irmão de Elaine Márcia e, segundo as investigações, comprou um imóvel de Igor por R$ 800.000,00 para ocultar patrimônio e teria lavado dinheiro. Marcos negou as acusações e disse que não sabe por que está sendo acusado. Alegou que não tem condição financeira alguma e que não comprou apartamento.
Relatou que só viu Igor uma vez para trocar o nome do apartamento, mas não sabe dizer qual apartamento. Afirmou que o compadre da irmã dele pediu para fazer isso em decorrência de um divórcio.
Ele afirma ser vendedor autônomo, motorista e segurança de eventos
Já Círio José Lourenço é oriundo de Foz do Iguaçu (PR) e movimentou, segundo os autos, a quantia de R$ 3.474.173,21 sem comprovação de renda. Mantinha relações com membros da organização na Bahia e em Goiás, e já respondeu por tráfico de drogas em Camaçari. O réu preferiu silenciar-se durante o interrogatório.
Paulo Cesar Carvalho disse que conheceu Igor pq ele disse que precisava de uma conta pq estava com problemas na sua conta pessoal. Afirmou que conheceu Igor dirigindo uber e que não sabia das outras empresas de Igor, só da pizzaria. Disse que fazia saques a pedido de Igor e que não sabia do que estava sendo acusado.
Paulo está preso pelo crime de roubo cometido há 15 anos. Afirmou que não tem bens, que vende roupas e recebe ajuda da família. Quando a operação foi deflagrada, ele já estava preso em Simões Filho (BA).
Ele admitiu já ter comprado rifas e não tem conta em redes sociais.Já comprou rifa
Não tinha conta em redes sociais
Gabriel de Amorim Fonseca é apontado como membro da organização criminosa, sobre o qual recai a imputação de integrar um grupo criminoso voltado para a atividade ilícita de tráfico de drogas, inclusive sintéticas, e conforme representação, Gabriel teria movimentado milhões de reais sem comprovação de renda. Disse não saber como passou 3 milhões na conta dele
Já Neide Naura Cedro de Souza é de Goiás e sua atuação era basicamente naquele estado. Recebia valores da organização criminosa, e teria recebido de Igor, R$ 1.2 milhão.
Neide emprestava a conta para os criminosos, mas disse que não emprestou a conta dela para nenhum dos investigados na Bahia, mas sabe que foi transferido um valor de R$ 170 mil de Igor para a conta dela em 2018.
Ela mora de favor, usa tornozeleira eletrônica há quatro anos e disse que já pagou pelo que tinha que pagar. Foi condenada por lavagem de dinheiro. Afirmou que não sabe porque está no caso e disse que o próprio delegado responsável pelas investigações não teria entendido o motivo dela estar envolvida. Ele testemunhou a seu favor.
Atua hoje em dia como cuidadora de idosos.
Jorge Piano, é rifeiro e negou tudo. Acredita que alguém equivocadamente possa ter feito transferência para sua conta.
Ele foi preso em 2023 na Operação El Patron pelos mesmos fatos da Operação Falsas Promessas.
Julierme Inacio dos Santos movimentou mais de 3 milhões de reais, negou os fatos, disse que leva vida bem simples e não sabe quais contas foram movimentadas.
Classificação Indicativa: Livre
Cláudia Cardozo, Rafael Albuquerque e Lorena Abreu
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