Justiça

IA avança na advocacia, mas 99% dos profissionais impõem uma condição para usar textos jurídicos, segundo pesquisa

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Levantamento da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), realizado durante evento sobre inteligência artificial e Direito, também revelou que 86,6% dos participantes temem erros  |   Bnews - Divulgação Unsplash / Ilustrativa
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 20/10/2026, às 06h28



A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente na rotina dos profissionais do Direito, mas a preocupação com a confiabilidade das informações e a proteção de dados ainda é um obstáculo para sua utilização.

Uma pesquisa da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), realizada durante o evento Diálogos: IA e Advocacia, reuniu cerca de 300 respostas e mostrou que 99,3% dos participantes não utilizariam uma peça jurídica produzida pela tecnologia sem revisão profissional.

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O levantamento também apontou que 86,6% dos entrevistados demonstram elevada preocupação com erros e informações inventadas pela inteligência artificial. Para 98,9%, a responsabilidade pelas decisões deve permanecer humana, mesmo com o avanço das ferramentas tecnológicas no setor jurídico.

Uso da inteligência artificial cresce na advocacia

Apesar das ressalvas, a pesquisa indica que os advogados estão cada vez mais abertos à incorporação da tecnologia no trabalho. Segundo os dados da AASP, 78,3% dos participantes relataram aumento no uso de inteligência artificial nos últimos seis meses.

O potencial de transformação da ferramenta também é reconhecido pelos profissionais. Cerca de 88,4% atribuíram notas de 8 a 10 à capacidade da IA de transformar a advocacia nos próximos cinco anos. Outros 72,8% reconheceram o elevado potencial da tecnologia para ampliar a produtividade.

O evento debateu os impactos da inteligência artificial no exercício da advocacia, a democratização do acesso às ferramentas e a importância da ética em sua utilização. A pesquisa aponta, porém, que a adoção da tecnologia deve ser acompanhada de supervisão humana para preservar a qualidade e a confiabilidade das atividades jurídicas.

“A advocacia está disposta a compartilhar tarefas com a inteligência artificial, mas não a transferir a ela suas responsabilidades. Esse entusiasmo vem acompanhado de uma consciência crítica importante”, afirma a presidente da AASP, Paula Lima Hyppolito de Oliveira.

Metade não sabe quais dados de clientes pode inserir em ferramentas de IA

A pesquisa também identificou lacunas na governança e na proteção de informações nos ambientes profissionais. Apenas 16,7% dos participantes afirmaram contar com políticas formais e documentadas para o uso de inteligência artificial.

Outro dado chama a atenção: 50,4% dos entrevistados não sabem ou não têm certeza sobre quais dados de clientes podem ser inseridos em ferramentas de inteligência artificial generativa.

Para Paula Lima Hyppolito de Oliveira, a expansão da tecnologia representa uma oportunidade de modernização dos serviços jurídicos, desde que seja acompanhada de análise crítica e responsabilidade profissional. A IA pode acelerar processos, ampliar o acesso ao conhecimento e aprimorar a prestação dos serviços, mas não substitui o discernimento e a capacidade de interpretação exigidos na advocacia.

“Na AASP, nosso papel é oferecer conhecimento, orientação e soluções tecnológicas que permitam à advocacia avançar com autonomia e confiança”, destaca Paula.

AASP alerta para riscos de segurança e golpes

O levantamento também reforçou a necessidade de ampliar o debate sobre os limites do uso da inteligência artificial, especialmente em relação à segurança das informações, à proteção de dados e à confiabilidade dos conteúdos produzidos.

Nesse contexto, o vice-presidente da AASP, Antônio Freitas, destacou a importância da conscientização sobre práticas fraudulentas, como a atuação de falsos advogados. Segundo ele, o tema tem mobilizado a entidade e outras instituições representativas da advocacia.

“Esses diálogos são fundamentais e estamos contando com o apoio das entidades de classe. Acreditamos que conscientizar os advogados sobre os principais cuidados de segurança e a importância de agir com ética e transparência é essencial”, afirma.

A AASP atua nacionalmente e reúne cerca de 75 mil associados em todos os estados brasileiros. Fundada há 83 anos, a entidade oferece cursos de atualização jurídica e serviços voltados ao exercício profissional, incluindo ferramentas de assinaturas digitais, verificação de provas digitais, gestão de escritórios e processos e pesquisa de jurisprudência.

Classificação Indicativa: Livre

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