Justiça

Juiz nordestino denuncia xenofobia após ser hostilizado em restaurante no Sul

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Magistrado do TJPE afirma que foi alvo de deboche por não conhecer prato típico do Rio Grande do Sul e relata ter sido xingado por um homem em Porto Alegre  |   Bnews - Divulgação Amepe/Divulgação
Eduardo Costa

por Eduardo Costa

redacao@bnews.com.br

Publicado em 10/10/2026, às 08h36



Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (9), o juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Francisco Tojal Dantas Matos, natural de Aracaju (SE), disse  ter sido vítima de xenofobia em Porto Alegre.

Segundo ele, a situação ocorreu em um restaurante de um hotel, na última terça-feira (6), quando ele afirmou para a atendente não conhecer um prato típico da região e foi confrontado por um homem que estava no local.

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"A atendente gentilmente me sugeriu um prato típico, conhecido como à la minuta, que eu não conhecia. Então eu perguntei maiores detalhes para ela sobre o prato, quando eu fui interrompido por um homem que estava na mesa vizinha, que falou em tom de deboche: de que país você é, que você não conhece à lá minuta", relata Tojal.

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O prato é  tradicional do Rio Grande do Sul que lembra o que é conhecido como "Prato Feito" ou "PF" em alguns estados.  Geralmente, ele é composto por arroz, feijão, salada, ovo, batata frita e algum tipo carne, costumeiramente de gado ou de frango.

De acordo com o juiz, após isso, ele falou ao homem que não teria a obrigação de ter conhecimento acerca de um prato típico de um estado que não é o seu.

Segundo ele, neste momento, o homem passou a hostilizá-lo.

"Esse cidadão se levantou, se sentiu no direito de me xingar, de falar vários palavrões e ainda de me associar a um determinado grupo político, porque o momento de polarização e intolerância é imenso no nosso país", disse.

A situação ocorreu pouco tempo depois dele pousar na capital gaúcha. Tojal l palestrou no Curso de Atualização para Magistrados (CAM) da Escola da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) na quarta-feira (7) à tarde, após o ocorrido.

Segundo ele, a reação do homem tem haver com suas origens.

"Ficou claro pra mim que o incômodo dele não era pela comida, era pelo meu sotaque, pela minha origem. O Sul é terra de gente acolhedora, mas nenhum cidadão brasileiro deve ser hostilizado no seu próprio país por ser de onde é. Eu sou nordestino com muito orgulho. Preconceito é crime e isso não se negocia", disse.

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