Justiça
A Corregedoria Extrajudicial e a Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) atuam contra o atraso na digitalização de acervos imobiliários no estado. Segundo despachos publicados nesta segunda-feira (23), mais de 80 unidades de Registro de Imóveis estão sob monitoramento, com possibilidade de abertura de sindicâncias, caso não cumpram o cronograma de modernização.
A medida é um desdobramento de uma determinação do ministro Mauro Campbell Marques, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O objetivo é garantir que 100% das matrículas e dados estruturados das serventias baianas estejam integrados ao sistema nacional (ONR) até o dia 23 de novembro de 2025.
Situação crítica
O pente-fino da Justiça identificou que o atraso é generalizado em duas importantes regiões do estado. Ao todo, 75 cartórios foram listados como inadimplentes e precisam apresentar defesa ou relatórios de progresso em apenas cinco dias:
Para estas unidades, o TJBA tem cobrado o cumprimento da digitalização total até o prazo final. Caso a meta não seja atingida, a unidade será alvo de sindicância individualizada. No caso de cartórios geridos por interinos (vagos), o descumprimento pode resultar na substituição imediata do responsável.
Monitoramento semanal
Além dos inadimplentes críticos, a Corregedoria monitora de perto outras serventias que, apesar de não terem atingido a meta total, apresentam justificativas ou progresso avançado.
As metas
O cronograma imposto pelo CNJ exige que os cartórios avancem obrigatoriamente 20% do acervo remanescente a cada 30 dias. O foco é a digitalização total dos Livros de indicador real e indicador pessoal. A digitalização permite que qualquer baiano consiga registrar imóveis ou emitir certidões de forma 100% digital, via Serviço de Atendimento Eletrônico Compartilhado (SAEC). Enquanto o cartório não conclui essa etapa, o cidadão continua dependente de processos físicos lentos e da presença presencial nas unidades.
A Anoreg/BA (Associação dos Notários e Registradores do Estado da Bahia), diante de notícias recentes sobre o monitoramento do cronograma de digitalização de acervos, vem a público esclarecer:
O despacho emitido pela Corregedoria do Foro Extrajudicial (COGEX) faz parte de um procedimento padrão de acompanhamento das metas estabelecidas pelo Provimento nº 143/2023 do CNJ. Trata-se de uma fase de atualização de dados, e não de uma sanção ou punição imediata.
O documento estabelece um prazo para que os Cartórios listados prestem informações detalhadas sobre o estágio atual de seus cronogramas. Este é o momento em que os registradores demonstram o avanço real das etapas de digitação e remessa de dados estruturados ao Operador Nacional do Registro Eletrônico de Imóveis (ONR).
É importante ressaltar que a transposição de matrículas manuscritas para o formato digital é um processo de alta complexidade técnica e jurídica. Eventuais divergências entre os números do sistema e a realidade local são objetos de esclarecimento no bojo dos processos de fiscalização.
Os Cartórios de Registro de Imóveis da Bahia seguem empenhados na implementação total do RI Digital (antigo SAEC). O objetivo comum entre a Anoreg/BA, as Corregedorias e o CNJ é garantir a segurança jurídica e a celeridade dos serviços prestados ao cidadão por meio da interoperabilidade de dados.
A Anoreg/BA segue acompanhando e prestando suporte necessário aos seus associados para o cumprimento das metas nacionais.
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