Justiça

Morro de São Paulo: Argentino que imitou macaco tem prisão decretada e vira alvo da Polícia Federal após fugir do Brasil

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Decisão de prender argentino foi dada pelo juiz Marcelo Félix neste sábado (18)  |   Bnews - Divulgação Reprodução/ Vídeo
Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 18/07/2026, às 14h22



O juiz Marcelo José Santos Lagrota Félix mandou prender preventivamente o argentino Sebastian Fernando Ayala, flagrado fazendo gestos racistas em Morro de São Paulo, um dos destinos turísticos mais badalados do baixo sul do estado. A decisão foi proferida no plantão judicial deste sábado (18), após parecer favorável do Ministério Público pela prisão do turista.

O jovem negro Renailton Ferreira dos Santos, de 22 anos, foi o alvo dos gestos racistas do argentino. O episódio aconteceu na noite da última quarta-feira (15), dentro do Bar e Restaurante Funny, na badalada Segunda Praia.

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As imagens do ataque viralizaram rapidamente na internet. Diante do risco de ser preso em flagrante, o acusado montou uma rota de fuga rápida para escapar do país antes de ser capturado pelas autoridades baianas.

Rota de fuga

Segundo as investigações da Delegacia Territorial de Cairu, Sebastian Ayala percebeu a repercussão do caso e fugiu de Morro de São Paulo direto para o Aeroporto Internacional de Salvador. Já na madrugada de quinta (16), por volta das 5h, o homem embarcou em um voo com destino ao Rio de Janeiro. Pouco depois, às 11h10 daquela manhã, ele já estava dentro de uma conexão internacional com destino final em Buenos Aires, na Argentina.

Como o estrangeiro não tem casa, emprego ou qualquer vínculo formal com o Brasil, o magistrado destacou que a debandada foi pensada exclusivamente para "frustrar a aplicação da lei penal brasileira".

 "Não é piada"

Para justificar a necessidade de prender o acusado, o juiz Marcelo Lagrota rebateu o argumento clássico de que ataques preconceituosos não passam de "brincadeiras" ou "humor hostil".

Ao analisar o caso, o magistrado disparou que "o racismo, manifestado por meio de gestos e imitações de macaco, representa uma flagrante violação à dignidade da pessoa humana". O juiz ainda pontuou que mascarar o preconceito com o selo de piada é, na verdade, "um dos artifícios mais perversos do racismo estrutural". O objetivo por trás dessa postura, segundo o texto judicial, é tentar esvaziar a gravidade do crime e normalizar o absurdo.

"No ordenamento jurídico e na convivência civilizatória, o humor hostil que utiliza estereótipos degradantes ou imitações grotescas não descaracteriza o dolo; pelo contrário, evidencia a intenção de inferiorizar o outro sob o pretexto de uma falsa descontração", destacou Lagrota na ordem de prisão.

O juiz concluiu o argumento desracando a rejeição do Direito contemporâneo com as práticas racistas, classificando tais condutas não como piadas, mas como “manifestações ilícitas" que massacram a saúde psicológica da população negra. Para ele, a resposta do Estado precisa ser implacável para quebrar esse ciclo de preconceito.

Caçada internacional

Sebastian Ayala é considerado oficialmente foragido pela Justiça Brasileira. O mandado judicial já foi cadastrado no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) e a Polícia Federal foi acionada para colocar o nome do argentino nos canais de cooperação internacional. Vale lembrar que, pela legislação brasileira, o crime de injúria racial dá cadeia e a pena de reclusão varia de 2 a 5 anos.

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