Justiça

MP da Bahia media reunião entre Anistia Internacional e mães que perderam filhos para a violência policial

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Anistia Internacional e entidades locais pressionam por transparência nas investigações de letalidade policial no estado  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 02/06/2025, às 12h53



O procurador-geral de Justiça, Pedro Maia, e outros sete promotores receberam em uma reunião na sede do Ministério Público da Bahia (MP-BA) a diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, mães que perderam filhos em ações policiais, além de representantes do Instituto Odara e do Instituto Fogo Cruzado.

Faço questão de receber a Anistia Internacional, as mães e os representantes da sociedade civil para tratar de temas que são do interesse do Ministério Público e da sociedade", disse o procurador. 

A Anistia Internacional veio à Bahia para cobrar ações efetivas no combate à violência policial no estado. Durante o encontro, foi entregue um documento com propostas concretas para o fortalecimento do controle externo das forças de segurança.

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Viemos cobrar compromissos assumidos e não cumpridos. O Estado tem o dever de proteger a vida. Na Bahia, a polícia mata, e o Ministério Público, que tem o dever constitucional de fiscalizar a polícia, também não está cumprindo sua função”, afirmou Jurema Werneck.

Em fevereiro de 2023, a Anistia Internacional já havia se reunido com representantes do Ministério Público e do Governo da Bahia. Na ocasião, houve um compromisso dos entes responsáveis em adotar medidas para reduzir a letalidade policial e garantir maior transparência nas investigações. No entanto, segundo as entidades, não houve avanço.

O que acontece na Bahia está fora do que determina a Constituição e os direitos humanos. Se não houver mudanças concretas, vamos partir para uma cobrança mais ampla, inclusive internacionalmente”, alertou Jurema Werneck.

Segundo o Atlas da Violência, em 2023 a Bahia registrou a segunda maior taxa de homicídios do país, com 43,9 mortes por 100 mil habitantes — atrás apenas do Amapá. Em números absolutos, o estado lidera o ranking nacional: foram 6.616 homicídios, mais que o dobro do total registrado em São Paulo (3.043 casos).

Foram 11 anos de luta para ver um dos assassinos do meu filho ser promovido de soldado da PM a sargento — e o outro, de tenente a capitão", desabafou Nadjane Macedo, mãe de Alexandre Macedo Chagas, jovem morto por policiais em Salvador no ano de 2008.

Alexandre foi atingido por um tiro na nuca quando ensinava os amigos e as namoradas a pilotar uma moto. Policiais militares chegaram ao local em uma viatura e, sem qualquer abordagem, abriram fogo. Os agentes alegaram que ele estaria armado, mas exames comprovaram que não havia vestígios de pólvora nas mãos do jovem. O tenente não foi julgado, pois o soldado assumiu o crime. Antes mesmo de ser condenado, o soldado foi promovido a sargento e, após o julgamento, ele fugiu não cumpriu um ano de pena.

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