Justiça

MPF pede paralisação das obras de prédio de luxo que ameaça desova de tartarugas em praia de Itapuã

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Órgão também acusa Prefeitura de Salvador de dispensar licenciamento ambiental  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Realiza Engenharia
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por Redação

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Publicado em 13/03/2026, às 12h35



O empreendimento imobiliário Azure Beach & Living, da construtora Realiza Engenharia, localizado na praia da Pedra do Sal, na Praia de Itapuã, em Salvador, voltou a ser alvo do Ministério Público Federal (MPF). O órgão recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) para pedir a paralisação imediata das obras do prédio após negativa da Justiça Federal.

De acordo com o MPF, a construção ocorre em uma área reconhecida como prioritária para a desova de tartarugas marinhas, incluindo espécies ameaçadas de extinção como a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) e a tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea). Ainda segundo o órgão, o empreendimento pode provocar impactos ambientais significativos, especialmente devido à iluminação artificial e ao sombreamento na faixa de areia, fatores que prejudicam o processo de desova e o desenvolvimento dos filhotes.

Para comprovar os impactos, o MPF apresentou laudos técnicos — incluindo nota técnica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio/Tamar) e pareceres de órgãos periciais do MPF e do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) — atestando os riscos de fotopoluição, sombreamento e degradação do ecossistema costeiro.

LICENCIAMENTO IRREGULAR

No recurso, o MPF também aponta irregularidades no processo de autorização do empreendimento. Segundo a ação, a Prefeitura de Salvador dispensou o licenciamento ambiental e deixou de consultar previamente o ICMBio, por meio do Projeto Tamar, medida exigida pela legislação federal para intervenções em áreas utilizadas para reprodução de tartarugas marinhas.

O MPF também argumenta que o fato de a obra já estar em estágio avançado não justifica sua continuidade: “Quanto mais se permite o avanço da obra, maior e mais iminente é o perigo de dano. Tolerar a continuidade da edificação agrava sobremaneira os impactos ambientais (sombreamento e iluminação artificial) e torna a eventual demolição ou adoção de medidas mitigadoras ainda mais complexa, onerosa e ineficaz”, afirma a procuradora da República Vanessa Gomes Previtera, que assina o recurso.

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