Justiça
Mais de um ano depois do encerramento do prazo original para adesão ao Novo Acordo do Rio Doce, outras 19 cidades decidiram participar da repactuação firmada com Vale, BHP e Samarco. Com o novo movimento, 45 dos 49 municípios elegíveis passam a integrar o acordo, que prevê mais de R$ 100 bilhões em pagamentos, além dos cerca de R$ 70 bilhões já desembolsados nos últimos 11 anos. Desse montante, R$ 2,6 bilhões são destinados a políticas públicas municipais de reparação e compensação. As informações são do G1.
A adesão, porém, tem reflexos sobre a disputa judicial travada no exterior. Uma das condições estabelecidas é que as prefeituras abram mão de eventuais indenizações decorrentes de processos em outros países. Com isso, a entrada de mais municípios tende a reduzir o alcance da ação coletiva que tramita na Inglaterra contra a BHP. O escritório Pogust Goodhead, responsável pelo processo britânico, chegou a estimar em até R$ 50 bilhões as possíveis indenizações destinadas aos municípios.
A Justiça inglesa já reconheceu a responsabilidade da BHP no caso, mas ainda não definiu os valores das indenizações, etapa prevista para ocorrer no próximo ano. Diante das novas adesões no Brasil, o Pogust Goodhead sustentou que o movimento não modifica "o andamento da ação inglesa nem deve ser interpretada como uma orientação para que pessoas físicas ou empresas também deixem o processo".
Homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de 2024, o Novo Acordo do Rio Doce busca encerrar as disputas judiciais relacionadas ao rompimento da Barragem do Fundão, ocorrido em Mariana (MG), em 2015. A estrutura era operada pela Samarco, controlada por Vale e BHP. A tragédia deixou 19 mortos e provocou graves danos ambientais ao longo da Bacia do Rio Doce, atingindo Minas Gerais e Espírito Santo.
Inicialmente, a adesão encontrou resistência entre algumas prefeituras. Dos 49 municípios aptos, somente 26 haviam ingressado no acordo até março de 2025. A situação mudou após o Consórcio Público para Defesa e Revitalização do Rio Doce (Coridoce) solicitar a abertura para novas adesões, em tratativas mediadas pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6). Entre os novos participantes está Mariana, epicentro do desastre e que anteriormente defendia melhores condições para aceitar a repactuação.
Com as 19 novas adesões, apenas Resplendor e Ouro Preto, em Minas Gerais, e Colatina e Governador Valadares, no Espírito Santo, permanecem fora do acordo. As prefeituras que ingressaram nesta nova etapa deverão receber o primeiro repasse em até 30 dias depois da decisão judicial e do cumprimento das exigências estabelecidas no Termo de Adesão e Compromisso. O valor inicial corresponde às três primeiras parcelas já recebidas pelos municípios que aderiram anteriormente.
O presidente da Samarco, Rodrigo Vilela, avaliou que o número de adesões reforça a solução negociada para a reparação dos danos. "A ampla adesão pelos municípios demonstra que o Novo Acordo do Rio Doce é o caminho legítimo para a reparação", afirmou. Segundo ele, a expectativa é que os recursos fortaleçam as comunidades atingidas, ao mesmo tempo em que o acordo "reafirma a soberania da Justiça brasileira e fortalece a construção de soluções consensuais e duradouras" para a Bacia do Rio Doce.
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