Justiça

Pai de Vorcaro tentou usar imóveis em Arraial d'Ajuda para blindar capital da família

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Operações de dação em pagamento de imóveis de luxo levantam suspeitas sobre a transferência de ativos para blindagem patrimonial  |   Bnews - Divulgação Foto: Divulgação
Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 11/09/2026, às 10h21



Com a derrubada do sigilo das investigações da Operação Compliance Zero, envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), na madrugada desta sexta-feira (11), vieram à tona ramificações geográficas que conectam a engrenagem financeira da família Vorcaro ao litoral sul da Bahia. Documentos oficiais incorporados aos autos revelam que as apurações sobre a preservação e a blindagem patrimonial do grupo liderado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro alcançaram Arraial d’Ajuda, distrito de Porto Seguro, figurando nas  investigações sobre fraude à execução.


O caso chegou formalmente ao STF por meio de um ofício enviado ao gabinete do relator do procedimento, o ministro André Mendonça. O documento foi expedido pelo juiz de direito Leonardo Antônio Bolina Filgueiras, titular da 1ª Vara das Garantias da Comarca de Belo Horizonte (MG).

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De acordo com o ofício judicial, vinculado ao Inquérito Policial nº 5225964-40.2025.8.13.0024, a Justiça de Minas Gerais investiga crimes de fraude à execução e esvaziamento patrimonial. Os alvos principais da apuração que une solo mineiro e baiano envolvem diretamente Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, a empresa Milo Investimentos S.A., o Fundo Red Asset (Red Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Crédito Corporativo), o empresário Ricardo Lopes Ferreira e demais beneficiários.


O ponto que despertou o alerta dos investigadores envolve operações de dação em pagamento de imóveis de alto padrão localizados em Arraial d’Ajuda, Porto Seguro. A dação em pagamento de bens luxuosos é frequentemente analisada como indício de engenharia jurídica destinada a transferir ativos de devedores insolventes, ou sob risco iminente de bloqueio de contas, para holdings, fundos ou terceiros, blindando o capital contra credores e ordens de constrição do Banco Central.


Compartilhamento de provas


Para encadear o fluxo de capitais e conectar as apurações que correm em instâncias distintas, o juízo mineiro fundamentou o pedido de cooperação interestadual diretamente com a Suprema Corte. No documento oficial enviado a Brasília, o magistrado solicitou expressamente:


"Pelo presente, visando à instrução dos autos em epígrafe, e em atendimento ao requerimento do Representante do Ministério Público, solicito a Vossa Excelência autorização para o compartilhamento das provas eventualmente existentes na PET nº 15.556/DF que guardem relação com os fatos objeto dos autos nº 5225964-40.2025.8.13.0024, especialmente e-mails, conversas e arquivos de aplicativos de mensagens, planilhas e demais elementos relacionados à atuação de Henrique Moura Vorcaro, Milo Investimentos S.A., Fundo Red Asset, Ricardo Lopes Ferreira e de eventuais beneficiários do fundo na dação em pagamento dos imóveis situados em Arraial d'Ajuda, Porto Seguro/BA."

O contexto baiano no escândalo


A menção a Arraial d'Ajuda soma-se a outro ponto sensível da presença da família Vorcaro no sul da Bahia: a aquisição de uma mansão avaliada em R$ 300 milhões em Trancoso, investigada em relatórios do Banco Central que foram anexados ao inquérito principal. O apetite imobiliário do clã na região, contudo, vinha de longe. O portal BNews já havia revelado, em reportagens publicadas à época, as pretensões de Daniel Vorcaro de expandir seus negócios na região paradisíaca da Bahia, incluindo planos de investir na aquisição e reestruturação de um hotel falido no município de Itacaré.

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