Justiça

PF afasta dois principais delegados do caso Banco Master; investigadores identificaram conversas com Alexandre de Moraes

Divulgação (Rosinei Coutinho / STF - Polícia Federal)
Daniel Mostadeiro Cola e Wedson Cajé deixarão cargos estratégicos da corporação; investigadores também devem sair das apurações que identificaram conversas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes  |   Bnews - Divulgação Divulgação (Rosinei Coutinho / STF - Polícia Federal)
Tiago Di Araújo

por Tiago Di Araújo

tiago@bnews.com.br

Publicado em 08/11/2026, às 19h55



A Polícia Federal (PF) decidiu retirar dois dos principais nomes envolvidos nas investigações sobre as fraudes do Banco Master de cargos estratégicos da corporação. Daniel Mostadeiro Cola e Wedson Cajé serão exonerados da Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro, em uma mudança que ocorre enquanto o caso segue provocando repercussão no cenário político e jurídico nacional.

A informação foi publicada pelo portal UOL neste domingo (8). De acordo com a reportagem, a saída dos dois delegados das funções de comando acontece após uma reestruturação na Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq), setor responsável por investigações que tramitam em instâncias como o Supremo Tribunal Federal (STF).

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Embora a exoneração dos cargos administrativos não represente, necessariamente, o afastamento dos investigadores dos inquéritos, fontes ouvidas pelo UOL afirmaram que Cola e Cajé também deverão deixar as apurações relacionadas ao Banco Master.

Com a mudança, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, deverá indicar novos nomes para ocupar as funções. A corporação foi procurada pelo UOL para comentar a decisão, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

Delegados produziram relatórios sobre Vorcaro e Moraes

A saída dos investigadores chama atenção porque os dois tiveram participação na elaboração de relatórios que identificaram conversas entre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Por determinação do ministro André Mendonça, então relator do caso, a equipe policial encaminhou ao Supremo informações sobre mensagens nas quais Vorcaro teria pedido auxílio a Moraes. Conforme reportagem anterior do UOL, foram identificadas mais de 300 interações entre o empresário e o magistrado.

Moraes negou qualquer interferência em favor do Banco Master e classificou como ilegal a produção do relatório, atribuindo a iniciativa a uma determinação de Mendonça. O ministro também pediu que o colega fosse investigado por suposto abuso de poder.

Relatório sobre ministros do STF ainda não foi entregue

Outro ponto que envolve diretamente os dois delegados é a elaboração de um documento solicitado pelo presidente do Supremo, Edson Fachin. O material deveria reunir informações sobre todos os ministros da Corte mencionados nas provas recolhidas durante a investigação, especialmente nos dados extraídos do celular de Vorcaro.

A proposta era apresentar uma descrição dos fatos identificados e os nomes dos magistrados citados, para que o STF pudesse avaliar os próximos passos do caso e a possibilidade de julgamento pelo plenário.

A expectativa era que o relatório fosse encaminhado à Presidência do Supremo na primeira semana de novembro. Até a publicação da reportagem do UOL, no entanto, o documento ainda não havia sido entregue.

A mudança no comando da área da Polícia Federal ocorre em meio à repercussão das apurações sobre o Banco Master e das informações que relacionam o empresário Daniel Vorcaro a integrantes do Supremo Tribunal Federal.

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