Justiça

Se Governe: Trate bem as pessoas

Foto: Divulgação
Saiba como empresas que cuidam de seus colaboradores garantem um legado duradouro e uma cultura organizacional forte  |   Bnews - Divulgação Foto: Divulgação

Publicado em 05/05/2026, às 14h00   Thiago Dória



Empresas sempre são feitas de pessoas, começando por seus sócios. Elas nascem do sonho de quem idealiza um negócio e da energia de quem é capaz de colocá-lo pra funcionar, mas também da força de quem precisa produzir para viver – e sobreviver. Mesmo em empresas gigantescas, onde não conseguimos ver os rostos de quem faz parte dela, sempre haverá no mínimo uma pessoa por trás de cada ação que é comprada ou vendida na bolsa, da mesma forma que sempre haverá no mínimo uma pessoa (senão centenas) por trás de cada produto ou serviço oferecido ao mercado.

Lidar com pessoas pode ser difícil, eu sei. Mas sem as pessoas tudo fica pior. Quem nunca perdeu a paciência tentando resolver (sem sucesso) um problema com uma grande empresa através de uma plataforma de atendimento automatizada? E quem nunca se sentiu triste porque estava longe da família e dos amigos? Toda a existência humana é baseada na existência e convivência das pessoas, e por isso precisamos tanto cuidar disso.

O Código de Melhores Práticas do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa aponta a Equidade como princípio fundamental de governança, instando toda empresa ou organização a tratar todas as “partes interessadas” de maneira justa, levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas, como indivíduos ou coletivamente. Infelizmente, quando falamos de “partes interessadas” muita gente lembra de acionistas, de consumidores, de comunidades, de órgãos reguladores, mas não lembra de trabalhadores, empregados ou terceirizados. Isso é sintomático, e preocupante...

A humanidade já entendeu que o trabalho humano não pode ser tratado como mercadoria, pois isso faz com que as pessoas possam ser tratadas como coisas. Os debates acerca da legislação trabalhista são sempre válidos, e a discussão sobre os modelos de trabalho e emprego é necessária neste momento. Mas é evidente que um trabalhador ou trabalhadora que só conta com a força do seu trabalho para sobreviver não pode ser visto como empresário de si mesmo. Trabalhadores crescem, evoluem e se tornam extremamente valiosos quando encontram oportunidades em empresas que os treinam, os direcionam e os estimulam. Sem isso, nivelamos tudo por baixo, e o trabalho vira mercadoria de novo.

A boa governança preza não só pela conformidade legal e cumprimento rigoroso das normas (inclusive trabalhistas), mas também pelo cuidado com cada parte interessada, principalmente empregados e terceirizados, dignos de olhar atento e escuta ativa. No melhor dos mundos, as empresas se tornam perenes pela manutenção de um legado por gerações, e pela criação de uma cultura que perdura e fortalece no passar das décadas. Mas não há legado sem sucessão, e não há cultura sem gente. Logo: empresas perenes tratam bem as pessoas, , ganhando produtividade e prevenindo riscos. Por favor, se cuidem.

Thiago Dória
Advogado, Conselheiro de Administração (CCA-IBGC) e Mestre em Direito, Governança e Políticas Públicas

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)