Justiça

Segunda vítima de abusos sexuais feitos por ministro do STJ temia ficar desempregada

Gustavo Lima/STJ
Primeira vítima de abusos sexuais seria uma jovem de relação familiar com o ministro  |   Bnews - Divulgação Gustavo Lima/STJ
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 12/02/2026, às 10h58



Mais uma mulher denunciou o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) , Marco Buzzi, de ter sido vítima de assédio sexual. Ela trabalhou no cargo de secretária na gabinete do ministro em 2023 e temia ser demitida caso tornasse o caso público. A primeira trata-se de uma adolescente com a qual o magistrado tinha relação próximo e familiar. As informações são do Jornal O Globo.

Marco Buzzi foi afastado das funções por decisão do STJ, mas alega ser inocente dos crimes aos quais está sendo acusado. A segunda denunciante relatou em depoimento que após os episódios de assédio saía chorando do trabalho e até mesmo pedindo ajuda e, além disso, chegou a pensar em pedir demissão por diversas vezes, mas repensou porque precisava do emprego.

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Após o afastamento, a defesa do ministro alega que ele é inocente e classificou a medida como desnecessária, "sobretudo diante da inexistência de risco concreto à higidez procedimental da investigação e também porque o ministro já se encontra afastado para tratamento médico". Ainda de acordo com os advogados, a decisão forma um "arriscado precedente de afastamento de magistrado antes do crivo do pleno contraditório". A investigação está em curso e não há acusação formal contra o ministro. O ministro chegou a ter um problema de saúde onde precisou implantar cinco stents e um marca-passo.

Enquanto estiver afastado, Buzzi está impedido de utilizar o local de trabalho, veículo oficial e demais prerrogativas que fazem parte do exercício da função, segundo a decisão do STJ. Ele vai seguir recebendo o salário de R$ 44 mil.

Primeira denúncia

A vítima não era uma desconhecida do ministro, tão pouco era alguém irrelevante em seu meio. A jovem que cresceu no convívio familiar próximo ao magistrado, a quem se dirigia carinhosamente como "tio". O caso já chegou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde a mãe da jovem depôs no final da manhã desta quarta, no gabinete do corregedor nacional, ministro Mauro Campbell. Cabe ao CNJ agora decidir se abrirá algum procedimento contra o ministro que poderá levar a sua aposentadoria compulsória.

Informações de bastidores indicam que o ministro Marco Aurélio Buzzi teria se aproveitado da relação de confiança com a família para cometer o abuso. "Abusou de quem confiava nele. Não pegou uma estranha na rua, o que já seria um crime, mas violou alguém que o via como família", resume uma fonte ao BNews. De acordo com a coluna Radar, o crime teria acontecido em uma praia de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, estado de origem do ministro. Foi em um banho de mar que o ministro tentou agarrar a jovem, mesmo ela demonstrando resistência.

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