Justiça

Sem acordo? Promotora do MP-BA se pronuncia após Flávio José cancelar agenda de São João na Bahia

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Anúncio do forrozeiro deve impactar mais de dez municípios baianos durante os festejos juninos  |   Bnews - Divulgação BNEWS/Reprodução / Redes Sociais
Carolina Papa

por Carolina Papa

carolina.papa@bnews.com.br

Publicado em 03/06/2026, às 18h07



Um dos principais nomes do forró no Brasil, o cantor Flávio José anunciou o cancelamento da sua agenda de apresentações durante o São João da Bahia. Através de um desabafo nas redes sociais, o artista revelou que a decisão foi tomada diante da redução do seu cachê durante os festejos juninos de 2026 recomendada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

A promotora do Ministério Público da Bahia, Rita Tourinho, em entrevista exclusiva ao BNews, lamentou a decisão de Flávio José, mas destacou que a mudança no cachê do forrozeiro segue uma recomendação que abrange todos os artistas contratados para o período e que os valores de mais de 100 artistas precisaram ser readequados. 

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Rita Tourinho negou ainda os rumores de uma reunião com Flávio José e sua equipe no dia 8 de junho para tratar do assunto. De acordo com ela, o Ministério Público não foi procurado pelo cantor. O cancelamento da agenda pelo forrozeiro vai atingir mais de dez municípios baianos. 

“Eu sinto muito, até porque acho que ele é um artista de grande representatividade na Bahia, no Nordeste e no Brasil. Não houve nada direcionado a ele. O trabalho da gente está envolvendo absolutamente todos os artistas. [...] Nós não fomos procurados em momento algum por ele [Flávio José] e também nem sabíamos dessa situação especificamente com ele”, disse a promotora ao BNews.

“Essa atuação do Ministério Público não é direcionada a nenhum artista específico. Nós sentimos que ele tenha interpretado dessa forma, mas interpretou de maneira incorreta. Inclusive, estamos de portas abertas para prestar esclarecimentos ao empresário dele e para discutir eventuais ajustes de acordo com a Nota Técnica nº 2”, destacou. 

Nesta quarta-feira (3), Flávio José criticou também o valor pago para “outros artistas que nada têm a ver com forró [e que] ganham rios de dinheiro". 

"É de um desrespeito sem tamanho. Por esse motivo, não irei à Bahia este ano. Lamentável, deixei de vender minhas datas para estados que realmente me valorizam. Priorizei a Bahia durante toda a minha carreira e hoje recebo essa informação como gratidão que o estado me devolve", cravou o cantor. 

Dados do painel junino do MP-BA mostram que houve um aumento de 40% entre 2025 e 2026 no valor cobrado por Flávio José. No ano passado, o cachê foi de R$ 250 mil, saltando, neste ano, para R$ 350 mil.

Diante da insatisfação de Flávio José, Rita Tourinho pontua que o cantor “precisará se adequar” à determinação do Ministério Público, mas ressalta que o órgão está aberto ao diálogo. 

“Ele vai ter que se adequar a uma das situações. [...] Inclusive, criamos a Nota Técnica nº 2 para os artistas de notório reconhecimento, o que já atende a uma expectativa dos empresários e leva, de fato, a uma redução do cachê que está sendo cobrado neste ano. O tratamento que está sendo dado é o mesmo para todos. Nós não podemos dar tratativas diferenciadas. Mas estamos de portas abertas e podemos, sim, dialogar. O diálogo sempre é possível. Nós podemos ouvir, e isso não representa nenhum problema”, finaliza.

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