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Único show de Wesley Safadão na Bahia durante São João tem cachê milionário e pode ser suspenso por "irregularidade"

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O cantor reservou apenas uma data na Bahia entre os 22 shows previstos para o mês de junho  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Redes Sociais
Tiago Di Araújo

por Tiago Di Araújo

tiago@bnews.com.br

Publicado em 03/06/2026, às 05h00



O que seria a única apresentação de Wesley Safadão na Bahia durante o período junino de 2026 pode acabar não acontecendo. Contratado pela Prefeitura de Irecê por um cachê de R$ 1,5 milhão, o show passou a fazer parte da investigação dos órgãos de controle após o município ser acusado de descumprir o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que estabelece parâmetros para contratações artísticas em festas públicas no estado.

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A contratação integra a programação do chamado "São João do Século", mas o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) determinou a suspensão dos pagamentos dos artistas contratados para o evento após representação apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

O caso ganhou repercussão porque Wesley Safadão está entre os artistas mais disputados do país durante o período junino e terá apenas uma apresentação prevista na Bahia.

Enquanto diversos municípios baianos mantiveram programações com atrações de destaque nacional dentro dos limites estabelecidos pelos órgãos de controle, a contratação do cantor em Irecê ultrapassa em mais do que o dobro o valor de referência de R$ 700 mil adotado no acordo firmado entre Ministério Público, TCM, TCE e União dos Municípios da Bahia (UPB).

Segundo o MP-BA, a Prefeitura de Irecê realizou contratações que não atendem aos critérios definidos na Nota Técnica Conjunta elaborada pelos órgãos de fiscalização. O documento estabelece que os cachês devem seguir como referência os valores praticados no mesmo período do ano anterior, corrigidos pelo índice oficial da inflação.

Além de Wesley Safadão, outros artistas anunciados para o evento também foram contratados por valores acima do limite de referência previsto no acordo. Entre eles estão:

  • Zé Neto e Cristiano - R$ 905 mil
  • Ana Castela - R$ 900 mil
  • Nattan - R$ 900 mil
  • Maiara e Maraisa - R$ 784 mil
  • Menos é Mais - R$ 750 mil

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Na representação apresentada ao TCM, o Ministério Público aponta ainda que o município não teria apresentado justificativas suficientes para os aumentos expressivos nos valores contratados. Em alguns casos, os reajustes teriam superado 70% em comparação com os parâmetros considerados pelos órgãos de controle.

Dados divulgados no Painel Nacional de Contratações Públicas (PNCP) mostram que a Prefeitura de Irecê prevê investir cerca de R$ 10,2 milhões apenas com atrações musicais para os festejos juninos. Segundo o MP-BA, o valor corresponde a aproximadamente 36,6% de todo o orçamento municipal destinado à cultura e a mais de 10% da receita corrente própria do município.

Os órgãos de fiscalização ressaltam que a medida não tem como objetivo impedir a realização dos festejos, mas garantir que os recursos públicos sejam utilizados de forma compatível com a realidade financeira dos municípios, respeitando critérios de razoabilidade, transparência e interesse público.

Grandes nomes ficaram fora da Bahia

As novas regras impostas pelos órgãos de controle já provocaram mudanças significativas na programação junina de diversas cidades baianas. Entre os artistas mais afetados estão nomes que tradicionalmente figuravam entre as principais atrações do São João no estado, mas que neste ano não tiveram apresentações confirmadas em municípios baianos por conta dos altos cachês.

Reprodução / Redes Sociais / Divulgação - Randes Filho

Um dos casos mais emblemáticos é o da cantora Simone Mendes, que divulgou agenda com apresentações em diferentes estados do Nordeste, mas sem nenhuma data na Bahia. A dupla Henrique e Juliano também ficou fora da programação junina baiana, apesar de estar entre os artistas mais requisitados do país.

Reprodução/Instagram

Xand Avião chegou a lamentar publicamente a ausência no estado durante o período, revelando que será a primeira vez em mais de duas décadas que não realizará shows de São João na Bahia. Os três nomes têm cachês que ultrapassam o limite de R$ 700 mil estabelecido pelo acordo firmado entre Ministério Público, Tribunais de Contas e a União dos Municípios da Bahia (UPB).

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