Justiça
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) abrirá o processo para preencher a vaga deixada pela desembargadora Joanice Maria Guimarães de Jesus na 3ª Câmara Cível. A cadeira será disputada exclusivamente por juízas de entrância final, pelo critério de merecimento. O TJBA ainda realizará no próximo dia 21 de outubro a promoção de novos dois desembargadores para as vagas abertas com a aposentadoria de Mário Alberto Hirs e Eserval Rocha.
A decisão atende às regras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre ações afirmativas de gênero, previstas na Resolução nº 106/2010 e alterações posteriores. A norma prevê a alternância obrigatória entre editais mistos e exclusivos para magistradas sempre que a representação feminina na segunda instância do tribunal estiver fora da margem entre 40% e 60%.
Antes de efetivar a nova desembargadora, contudo, o tribunal abriu prazo para que membros já empossados manifestem interesse em remanejamento. O Edital nº 295/2026 prevê inscrições entre as 8h do dia 15 de outubro e as 23h59 do dia 19 de outubro para desembargadores que queiram migrar para o colegiado cível. Se mais de um magistrado solicitar a mudança, a preferência segue a ordem de antiguidade na Corte.
Caso ocorra a transferência de algum desembargador para a 3ª Câmara Cível, a juíza que vencer a disputa por merecimento ocupará a vaga que restar aberta nesse movimento em cadeia.
Já a concorrência exclusiva para as magistradas, regulamentada pelo Edital nº 296/2026, terá um período de inscrição mais longo: vai das 8h do dia 15 até as 23h59 do dia 29 de outubro.
Todo o trâmite será feito de forma online pelo sistema de habilitação eletrônica do tribunal. As candidatas precisam anexar documentos como relatórios circunstanciados, certidões eleitorais e de autos conclusos, comprovante de residência, histórico de produtividade (últimos 24 relatórios mensais e até 30 sentenças proferidas), além de títulos e artigos publicados. Os editais foram assinados pelo presidente do TJBA, desembargador José Rotondano.
A saída de Joanice Guimarães marca o fim de uma trajetória de 54 anos dedicada ao serviço público, sendo 42 deles apenas na magistratura. A desembargadora completou a idade-limite constitucional de 75 anos e participou de sua última sessão no Tribunal Pleno em meados de setembro. Reconhecida em todo o país como uma das principais referências na implantação da Justiça Restaurativa no Judiciário baiano, ela passou por comarcas do interior como Itapebi, Coaraci e Itabuna, antes de atuar em Salvador, onde também já havia atuado como professora da rede pública e delegada de polícia antes de ingressar no TJBA.
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