Justiça
A atuação cuidadosa da justiça baiana em Ilhéus, no sul do estado, permtiu que a vida de dois irmãos, vítimas de negiglência familiar, ganhasse um novo capítulo. Mari e José (nomes fictícios para preservar a identidade das crianças) foram adotados por um casal do Rio de Janeiro. Eles tinham seis e dois anos, respectivamente, quando foram acolhidos por determinação da Vara da Infância e Juventude do município.
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Inicialmente, a Justiça buscou manter os irmãos junto à família de origem. Eles foram encaminhados aos cuidados da avó materna, mas a tentativa não teve sucesso e os dois precisaram retornar ao acolhimento institucional.
Depois de alguns estudos, Mari e José foram reinseridos na família extensa e entregues aos cuidados da avó materna. Ela, porém, vivia com um companheiro que não aceitava a presença das crianças”, relembrou a juíza Sandra Magali Mendonça, titular da Vara da Infância e Juventude de Ilhéus.
Esse processo foi muito doloro para Mari. Ela já havia enfrentado diversas rupturas familiares. Diante da possibilidade de uma nova adoção, a menina demonstrava insegurança e receio de sofrer outra rejeição.
Mas, com o acompanhamento da equipe técnica da Vara, os irmãos passaram por uma preparação para a adoção, respeitando suas histórias, seus sentimentos e o tempo necessário para a construção de novos vínculos afetivos.
Foi durante esse processo que surgiu a possibilidade de adoção por Erick Diego Fraga e Tatiane de Almeida Guimarães, casal que morava no Rio de Janeiro e desejava acolher irmãos.
Segundo a juíza Sandra Magali Mendonça, a aproximação começou após a identificação de que o perfil do casal correspondia às necessidades das duas crianças.
Surgiu um casal no Rio de Janeiro que correspondia ao perfil desejado. O primeiro contato foi feito, as fotografias das duas crianças foram enviadas e a resposta veio imediatamente: ‘São nossos filhos’”, contou a magistrada.
Erick e Tatiane afirmaram que a decisão de adotar irmãos fazia parte do desejo do casal desde o início do projeto de adoção.
“Desde o momento em que surgiu a vontade de adotar, queríamos que fossem irmãos”, relataram.
O casal também destacou o acompanhamento recebido durante o processo judicial.
A juíza e a equipe foram bastante atenciosos, fazendo com que tudo acontecesse de forma humanizada, leve e eficaz”, afirmaram.
O período de aproximação e convivência entre as crianças e os futuros pais adotivos ocorreu em Ilhéus, ao longo de 15 dias, e contou com acompanhamento da equipe técnica da Vara da Infância e Juventude.
Durante esse período, foram realizadas visitas e entrevistas com o casal e os irmãos para acompanhar a adaptação e a construção dos vínculos familiares.
“A equipe realizou visitas e entrevistas conosco e com as crianças. Depois do período de adaptação, foi marcada a audiência e, então, eles puderam vir conosco para o Rio de Janeiro”, relembrou Erick.
Nove anos após o início dessa nova etapa, Mari, agora mais velha, relembra com carinho o momento em que conheceu os pais adotivos e deixou a Bahia para viver com a família no Rio de Janeiro.
“Para mim, família é amor, carinho e estar sempre presente. Há nove anos, meus pais adotivos saíram do Rio de Janeiro para me buscar na Bahia, e isso mudou minha vida completamente. Sou muito grata a Deus e a todas as pessoas que fizeram parte desse processo”, declarou.
Com o passar dos anos, a família também cresceu. Mari e José ganharam um irmão mais novo, Davi.
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