Cultura

Funarte cita post contra fascismo para justificar parecer contra financiamento do Festival de Jazz do Capão

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A pasta, subordinada à Secretaria Especial de Cultura, do Ministério do Turismo, chega a utilizar uma frase do músico alemão Bach, em que define à arte sob uma perspectiva religiosa e cristã e faz uma correlação com os cantos gregorianos

Publicado em 12/07/2021, às 12h01    Reprodução/Instagram    Luiz Felipe Fernandez

A Fundação Nacional de Artes (Funarte) recuperou uma publicação contra o fascismo e a favor da democracia, para embasar um parecer técnico desfavorável à aprovação do projeto Festival de Jazz do Capão, na Chapada Diamantina, na Lei Rouanet. No documento, o órgão cita uma publicação feita em junho de 2020 - ano em que o evento não foi realizado em razão da pandemia de Covid-19 - com uma arte e a frase "Festival antifascista e pela democracia", para justificar na conclusão que a proposta configura "desvio de objeto" e risco ao mal uso do dinheiro púbico.

Das oito edições realizadas em 10 anos de história, o Festival idealizado pelo diretor artístico Rowney Scotto teve em três oportunidades o patrocínio por meio da Lei Rouanet. De acordo com a assessoria, nas últimas edições o projeto tramitou sem maiores problemas na Lei de Incentivo Federal, mas agora em 2021 foi surpreendido com a resposta da Funarte.

Em publicação no Instagram, a produção do Festival tradicional da região, que levou à cidade músicos de todo o mundo e atraiu milhares de turistas, se inserindo na agenda cultural do estado, reforçou que o post não recebeu nenhum tipo de incentivo financeiro.

A pasta, subordinada à Secretaria Especial de Cultura, do Ministério do Turismo, chega a utilizar uma frase do músico alemão Bach, em que define à arte sob uma perspectiva religiosa e cristã e faz uma correlação com os cantos gregorianos.

"O objetivo e finalidade maior de toda música não deveria ser nenhum outro além da glória de Deus e renovação da alma", diz a frase de Bach utilizada pela Funarte. "Por inspiração no canto gregoriano, a Música pode ser vista como uma Arte Divina, onde as vozes em união se direcionam à Deus [sic]", acrescenta.

Sem adentrar nos critérios técnicos e artísticos do Festival de Jazz, o órgão alega que a "associação" feita na publicação extrapola o propósito da arte e desvia o evento da sua "natureza", já que foram identificadas a partir do post em rede social "correlações nefandas" feitas pela organização.

O FESTIVAL

As primeiras edições do Festival do Capão aconteceram em 2010 e 2011, com o patrocínio do então Ministério da Cultura, na época, com a participação de artistas como: Ivan Lins, Naná Vasconcelos, Hermeto Pascoal, Toninho Horta, entre outros. Após um ano sem patrocínio, o Festival retornou em 2013, 2014 e 2015, com o patrocínio do Programa Petrobrás Cultural, trazendo artistas como: João Bosco, Letieres Leite Quinteto, Dori Caymmi, Raul de Souza, Ricardo Castro, Joyce, entre nomes da Bahia e do próprio Vale do Capão.

Desde 2017, o Festival de Jazz do Capão conta com o Apoio Financeiro da Secretaria de Cultura da Bahia, com complementação de patrocínio através da Lei Rouanet. Nas últimas 3 edições (2017, 2018 e 2019), levou para o Vale do Capão - Chapada Diamantina - Bahia, artistas de renome internacional como: Egberto Gismonti, Débora Gurgel, César Camargo Mariano, a norte americana Michaella Harrison, o grupo alemão Kapelle 17, além de artistas do Vale do Capão, de Salvador e jovens do curso de música da Universidade Federal da Bahia, garantindo um rico intercâmbio musical.

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