Cultura
Ao ver a região portuária da cidade de Salvador, nota-se que o bairro do Comércio não carrega o mesmo brilho de antigamente, vivendo entre o declínio do presente e a esperança de um futuro melhor. Pensando nisso, o cineasta Bernard Attal, junto com a Santa Luzia Filmes, lança nesta quinta-feira (5) “Porto de Origem”, um filme documentário sobre a região que hoje se tornou quase uma cidade fantasma da capital baiana.
O longa, que é uma homenagem à valorização do patrimônio histórico da cidade, busca retratar o Comércio, bairro que mesmo com tentativas de revitalização, ainda se encontra esvaziado. Essa “cidade abandonada”, contudo, inspirou o cineasta após o encontro de arquivos herdados por sua avó francesa, referente a um velho título de investimento no Porto de Salvador, que o incentivou a buscar os segredos do antigo porto brasileiro.
Bernard Attal espera, então, que o documentário possa sensibilizar a população e os órgãos públicos sobre a importância da região para a cidade. “‘Porto de Origem'" é um filme que eu tinha interesse em fazer há muitos anos. O processo de pesquisa já vínhamos fazendo por conta do Trapiche Barnabé, que estamos reformando. Nessa busca, a importância histórica, sociológica e cultural do Comércio, não só pela Bahia mas pelo país todo, ficou cada vez mais clara", conta o cineasta.
Ao todo, o projeto levou cinco anos para ser concluído, tendo início antes da pandemia. No longa, passeando na região portuária, o cineasta observa os traços da sua história, arquitetura, obras de arte, negócios tradicionais, empresas e a coragem de uma população eclética que resiste. Neste universo rico, o conflito é latente entre um declínio angustiante e um futuro promissor, porém incerto.
O filme se constrói a partir de dois eixos narrativos. O primeiro deles parte do fascínio do Bernard pelo antigo porto, sua glória passada e também as cicatrizes da escravidão até o declínio que começou na segunda metade do século passado. O interesse de Attal também carrega um tom sentimental, uma vez que o cineasta trabalha na região e está envolvido na reforma do Trapiche Barnabé, localizado no Comércio, um importante espaço cultural de Salvador edificado no século dezoito.
Já o segundo eixo se concentra em olhar para o futuro, no que o Porto de Salvador pode vir a se tornar a partir de ações de revitalização, transformando-se novamente em um lugar vibrante. O filme, então, apresenta um olhar audacioso e imagético, projetando a região já reformada e novamente pulsante.
“A condição precária de muitos prédios históricos no Comércio mostra que há muito trabalho a ser feito. A história do Porto de Salvador se inicia no período colonial, desde meados do século dezesseis, quando os trapiches eram utilizados para comercializar mercadorias de Portugal e exportar a produção agrícola do Recôncavo. Esse patrimônio único que vai se constituindo ao longo de cinco séculos deve ser a raiz a partir da qual se pode construir um grande futuro, como foi feito em muitos outros portos no mundo", reforça Attal.
Com produção e distribuição da Santa Luzia Filmes, o longa tem 85 minutos de duração e entra em seu circuito comercial no próximo dia 5 de dezembro. Confira o trailer abaixo.
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