Cultura

Orgulho LGBTQIA+: Autora baiana alcança sucesso na Amazon com romance entre duas mulheres

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Romance 'Opostas em Guerra' alcançou marca de 600 avaliações em 15 dias de lançamento  |   Bnews - Divulgação Reprodução

Publicado em 21/08/2024, às 05h00   Victória Valentina



Sucesso entre os eBooks recém-lançados na Amazon, a escritora soteropolitana Sarah Oliveira viu seu livro Opostas em Guerra, que conta um romance entre duas mulheres, alavancar na plataforma e se tornar um dos queridinhos entre o público LGBTQIAPN+. Após alcançar a marca de mais de 600 avaliações em quinze dias de lançamento, a autora conversou com o BNews sobre o impacto de escrever uma história de amor que ainda é vista como tabu por boa parte da sociedade.

Sarah divide seu tempo entre um trabalho CLT e a escrita. Formada em Relações Internacionais, a baiana de 30 anos contou que começou escrevendo as famosas fanfics - histórias ficcionais criadas por fãs - em 2009, principalmente da banda McFly, mas acabou parando o hobby em 2013, quando iniciou a faculdade.

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"O curso tomou meu tempo, então eu larguei essa vida de 'fanfiqueira' para ser leitora. Eu escrevia muitas crônicas, textos sobre meus sentimentos. Mas só fui começar profissionalmente, de forma independente, em 2022", relatou.

Seu primeiro trabalho lançado na plataforma da Amazon foi durante a pandemia de Covid-19, dois anos atrás, e falava sobre um amor de carnaval. A partir disso, surgiu a ideia de lançar contos sazonais, que se tornaram a antologia "Amores em Festa". "Depois, eu falei que ia fazer de forma correta, com revisão, leitura crítica, preparação. Hoje tem todo um trabalho profissional", explicou.

Livros Sarah Oliveira
Livros da autora Sarah Oliveira

Opostas em Guerra traz uma história de amor entre duas jogadoras de vôlei das seleções dos Estados Unidos e da União Soviética durante as Olimpíadas de 1988, em Seul. O romance mostra não apenas a tensão política entre os dois países na época, mas a descoberta da sexualidade das duas personagens, tratado com muito desejo, rivalidade e tesão.

"Comecei pensando nas Olimpíadas e no vôlei, que é um esporte que tem muitas sáficas - termo usado para se referir a mulheres que sentem desejo ou afeto por outras mulheres. Minha amiga, que é lésbica, foi a leitora sensível desse livro, e ela confessou que as mulheres lésbicas são muito carentes, porque é fácil encontrar livros de mulheres bissexuais ou casais gays. Você pode ser jovem e se descobrir, mas tem gente se descobrindo com 25 ou 30 anos", disse.

Mesmo não sendo uma mulher lésbica, mas que se enquadra como queer na sigla, Sarah relatou que sentiu responsabilidade em retratar o romance entre Zoya Maksimova e Leona Campbell. "Por não ser meu local de fala, eu sempre busco a pessoa que tenha vivência para ler e apontar as coisas. Em meu outro livro, 'Amor Sob Protocolo', tem uma personagem negra, a Jade. Eu não sou negra, eu não posso lançar um livro sem que alguém leia e faça a leitura sensível. É uma preocupação que todos os autores devem ter. Sempre tive medo de ferir alguém, de ofender. Óbvio que nunca ia lançar nada sem ter o respaldo de alguém", explicou.

Em menos de 15 dias de lançamento, Opostas em Guerra registrou 600 avaliações na Amazon, em sua esmagadora maioria positivas. Sarah Oliveira contou que ficou bastante surpresa com os números. "Achei que nem ia chegar perto disso. A impressão que outras pessoas tinham era que o livro seria uma referência, porque todo mundo ia querer ler já que foi lançado no período das Olimpíadas de Paris. Mas eu ficava com uma pulga atrás da orelha. Nos primeiros dias o livro recebeu avaliações com uma e duas estrelas, mas depois, foi só feedback bom. Ele viralizou no TikTok e era algo que eu não estava esperando. Em 15 dias o livro alcançou o Top 100 da Amazon."

A rede social chinesa, inclusive, é apontada como uma grande disseminadora de cultura, especialmente da literatura. Criadores de conteúdo voltados para os livros, nicho conhecido como BookTok, passaram a dar mais destaque aos livros sáficos, que passaram a alcançar públicos além das pessoas LGBTQIAPN+. 

Apesar do sucesso, Sarah reconhece que, por ser um livro digital, existe uma facilidade de seu romance se espalhar e alcançar mais gente. Para ela, o cenário para os escritores anda muito difícil, especialmente na Bahia. "A gente vê muitas livrarias sendo fechadas, tem poucas que sobrevivem. Quando eu vou comprar livro físico, é porque eu vejo que vale a pena, porque eles são caríssimos. É uma situação triste, mas não acho que as livrarias vão acabar. É bom que os livros digitais existam porque democratiza mais a leitura, qualquer pessoa pode abrir o celular e ler", finalizou a autora.

Classificação Indicativa: Livre

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