Denúncia
Mãe de uma criança com microcefalia e ex-presidente da Organização Não Governamental (ONG) Abraço Microcefalia, Mila Mendonça fez um apelo para o olhar do poder público nessa causa.
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Em entrevista à Rádio Metrópole, durante o Jornal da Bahia no Ar com o apresentador Zé Eduardo, nesta quarta-feira (30), Mila falou que a ONG, que tem sede em Mussurunga, em Salvador, tem um gasto mensal de R$ 25 mil e que toda verba que recebe é apenas de doação, sem nenhum centavo de ajuda pública.
“Hoje a ONG sobrevive apenas com doações, não existe uma verba. A sede funciona em Mussurunga, o espaço foi cedido pelo Governo da Bahia, tivemos que fazer várias reformas, mas a gente não tem convênio de ajuda constante. A despesa mensal gira em torno de R$ 25 mil, incluindo terapeuta, água, luz, é dificílimo viver só de doação. É um desafio diário", disse.
A ex-vice -presidente do Abraço Microcefalia também afirmou que a ONG acolhe cerca de 330 famílias, e, ao todo, mais de mil pessoas. Mila explicou que existe uma idade limite para as crianças serem ‘acolhidas’ pelo Estado, e quando ultrapassam essa idade, elas passam por problemas de atendimento.
“Não são acolhidas pelo Estado, tem prazo e idade limite para atendimentos. Quando as crianças chegam em certa idade, tem problemas de atendimento”, contou.
Segundo Mila, a luta da ONG é para arrecadar doações e trabalho. Por isso, ela enfatizou o Projeto de Lei (PL) 6064/2023, que tem como objetivo oferecer o direito da indenização por dano moral e a concessão de pensão especial à pessoa com deficiência permanente decorrente de síndrome congênita associada à infecção pelo vírus Zika ou de Síndrome de Guillain-Barré causada pelo vírus Zika.
"A maior luta hoje é para aprovação do PL 6064/2023, que é uma projeto que tramita no regime de urgência, foi aprovado no Senado, voltou para a Câmara apenas para votação no plenário, porque teve uma pequena alteração. Quero pedir esse apelo, está na mesa do presidente da Câmara. O custo com essas crianças é muito grande, os meninos dependem de um cuidado de 24 horas, até dormindo, eles podem ter um engasgo e morrer".
Mila reafirma que a luta para cuidar de crianças que sofrem com a microcefalia é árdua. "Imagine colocar isso num cenário de uma mãe, vários pais covardes abandonam essas crianças, e as mães ficam sozinhas, sem poder trabalhar”.
“Os meninos têm problemas de digestão, eles tomam medicamentos, tem prisão de ventre, tomam remédios para controlar essa digestão. O custo do medicamento é de R$600, R$800 mensais. Para quem não acompanha, a maioria deles não andam, não falam, sequer conseguem coçar o nariz. É um desafio, essas crianças não conseguem ter qualidade de vida”, completou.
O BNews procurou a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador e a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a fim de saber se os órgãos têm ciência do ocorrido e um posicionamento oficial.
A Sesab afirmou que a “Secretaria da Saúde do Estado não repassa recursos diretamente para ONGs, salvo via credenciamento de algum serviço de saúde”. Já a SMS não emitiu um comunicado oficial para a reportagem. O espaço segue aberto.
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